Globo A volta da CPMF provocou fortes emoções, muita irritação entre os empresários e polêmica no Congresso. Mudou o nome, a divisão mas a rejeição é do mesmo tamanho. A crítica foi uma unanimidade entre os empresários, ou seja, entre quem produz no país. No Congresso, onde a criação do novo imposto terá que ser votada, também as críticas foram fortes. Em vez de CPMF, o nome agora é CIS, mas a ideia é a mesma: reforçar o caixa da saúde, com um imposto sobre operações financeiras. Era só movimentar a conta no banco, fazer um saque, um depósito, uma transferência, que lá vinha a CPMF, apelidada de imposto do cheque. Isso foi até 2007. A proposta agora é recriar o imposto. O novo nome em estudo é Contribuição Interfederativa da Saúde, CIS. A alíquota em análise: 0,38% sobre as operações financeiras. Previsão de arrecadação de R$ 85 bilhões ao ano e seria cobrada por quatro anos. A criação do imposto precisa de aprovação do Congresso. Para facilitar a aceitação, o governo está pensando em dividir o dinheiro, que seria todo para saúde, entre União, estados e municípios. Os presidentes do Senado e da Câmara acham difícil a volta desse imposto. ?Eu tenho muita preocupação com aumento de imposto, com aumento da carga. O Brasil não está preparado para voltar a conviver com isso?, afirma Renan Calheiros. ?Acho pouco provável a gente querer resolver o problema de caixa achando que nós temos que cobrar mais da sociedade em impostos?, diz o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. A CPMF foi extinta, pelo Senado há 8 anos. Um erro, disse o líder do governo na Câmara. ?Da forma que a CPMF foi acabada pelos senadores, a maioria, foi um duro golpe no SUS. Como eu sou defensor intransigente do SUS, eu acho que o SUS precisa de financiamento, ampliar os recursos para saúde?, diz José Guimaraes, do PT/CE. Para especialistas, o governo quer fazer caixa as custas da população, injustamente. ?Não tem jeito, não tem como evitar que a CPMF penalize as pessoas. Pode fazer uma coisa daqui, pode outra coisa dali, mas o fato é que é uma medida muito ruim para população. Só, realmente, se tiver uma compensação na mudança das atitudes que o governo adotou nos últimos anos e que nos colocaram no buraco em que estamos?, diz o economista Raul Velloso. A FIESP, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, também é contra a volta da CPMF. ?O que nós precisamos agora não é mais impostos, precisamos é de menos impostos. O que nós precisamos agora são juros mais baixos e o que nós precisamos é crédito e não aumentar ainda mais a carga sobre as empresas e as pessoas?, opina o presidente da FIESP Paulo Skaf. A Confederação Nacional da Indústria, a CNI, achou absurda a proposta de recriação do imposto. ?Eleva a carga. É um imposto ruim, porque ele é um imposto cumulativo e ele reduz ainda mais a competitividade?, acredita José Augusto Fernandes, diretor de polícia e estratégias da CNI. A mais recente pesquisa da CNI, inclusive, mostra que 90% dos empresários reprovam a quantidade excessiva de tributos e a maioria aponta esse como o principal problema do sistema tributário. A empresária Fernanda Difusi sente na pele. Como não tem como mexer nos impostos, ela mexe em outras coisas. ?Diminui a margem de lucro e ver se consegue aumentar no volume de venda?, conta. Reclama quem produz, quem vende e, claro, quem compra. ?Acho incrível, né? pagar tudo caro. Não concordo?, diz um homem. A Federação do Comércio do Estado de São Paulo disse criação de um novo imposto, disse que é extremamente prejudicial para a economia. A contribuição deve ser incluída na proposta do governo para o orçamento do ano que vem, que vai chegar ao congresso na segunda-feira (31). E para valer, tem que ser aprovada pelos parlamentares, em dois turnos. (Foto: Ilustrativa)
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