Além da aprovação do ajuste fiscal, a estratégia de preservar Cunha faz parte de um acordo para proteger a presidenta Dilma, alvo de processos de impeachment na Câmara dos Deputados que dependem, num primeiro momento, de uma decisão monocrática do presidente da Câmara, a quem cabe deferir ou indeferir o pedido.
Embora tenha poupado Cunha, o PT manteve no texto final aprovado em reunião do diretório nacional a avaliação de que o presidente da Câmara e ?a ala conservadora? do PMDB ?flertam com o impeachment presidencial?.Segundo o presidente nacional do PT, Rui Falcão, a sugestão para que o partido apresentasse uma representação pela cassação de Cunha ao Conselho de Ética da Câmara foi rejeitada pela maioria dos presentes. ?Ninguém tem dúvidas no PT de que quem tem acordo com ele Cunha) é a oposição. Ele terá que responder sobre as denúncias que lhe fazem na Justiça, no Supremo Tribunal Federal e no Conselho de Ética?, afirmou Falcão.
Apesar das críticas à política econômica da presidenta Dilma, o documento aprovado também suavizou os ataques ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que têm sido feitos nos bastidores do partido. A resolução defende mudanças na política econômica do governo, como aumento da tributação dos extratos da sociedade ?mais abastados? e a redução ?paulatina da taxa de juros?.