Correio Questão 1: nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, um jovem de 18 anos atira uma flecha perfeitamente em direção ao alvo e acerta o centro dele. Qual a probabilidade dele ganhar a medalha de ouro? A pergunta bem que poderia estar em uma das provas que o arqueiro Marcus Vinicius D?Almeida, de 17 anos, realizou neste ano, em que cursou o 3º ano do ensino médio. ?Tem sido bem complicado, mas a gente consegue ir levando. A galera me ajuda bastante, os professores entendem?, conta o jovem, por telefone. Vice-campeão da Copa do Mundo da modalidade e ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude no ano passado, ouro no individual e bronze por equipe no Mundial juvenil de Tiro com arco, além de bronze por equipe no Pan de Toronto de 2015. Essas são algumas da conquistas do carioca, considerado um fenômeno do esporte. O Brasil já possui três vagas garantidas no Rio-2016, mas os representantes serão conhecidos após quatro seletivas entre março e maio do ano que vem. Marcus, claro, desponta como um dos favoritos no meio de tanta gente mais velha. ?Normalmente, eu sou um dos mais novos. Mas não tem problema com isso. É um esporte em que todo mundo se respeita muito até porque, na verdade, o espírito sou eu e o alvo só e o adversário também é ele e o alvo?, explica. Potência Marcus garante que não se sente pressionado pelos resultados e nem pelo público. Até acha ?legal? quando recebe um parabéns. ?Tô super tranquilo. Graças a Deus, eu tenho chance de ir na Olimpíada. Acho que tenho que treinar e fazer o meu melhor. Não tenho que pensar em pressão ou nada disso. Não é sorte, é muito trabalho. Então, no que eu estou me empenhando, eu tô conseguindo ir bem?, afirma. Mas o que fez um jovem optar por um esporte tão desconhecido da maioria dos brasileiros? A oportunidade. Marcus conta que sempre foi apaixonado e praticante de esportes. Quando chegou a Maricá, cidade no interior do Rio, se deparou com um projeto da Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTArco) para jovens de 12 a 17 anos. ?É uma cidade pequena. Fiquei logo sabendo do projeto e me interessei?, lembra. A transformação de uma garoto para um competidor de alto nível também passa pela mudança no corpo e, com isso, no próprio instrumento de trabalho. Depois de um resultado um pouco abaixo do esperado no evento-teste, em setembro, quando ficou nas oitavas de final, Marcus trabalho duro para se adaptar à nova regulagem no arco para dar mais potência a seus tiros. ?Tem que ir aos poucos para não causar uma lesão. É o ajuste no arco e eu preciso estar preparado para aguentar a nova potência?, analisa. Para isso, realiza um trabalho específico em academia. O foco é tamanho que Marcus já definiu que não prestará vestibular em 2016. O ingresso para a faculdade fica para 2017. Até porque a maior prova dele não será numa sala de aula. (Foto: Reprodução)
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