Conforme o médico, na ocasião, a situação foi percebida e normalizada imediatamente. ?Logo que percebemos já foi colocado o dreno de emergência, que tira o ar para fora do diafragma, e ela voltou a ficar estável. Esse dispositivo deve ser removido em dois ou três dias só com uma anestesia local?, esclareceu o médico. No entanto, a menina voltou a piorar. A cirurgia de separação das siamesas foi realizada na última quarta-feira (13). As irmãs, que eram unidas pelo tórax e abdômen, compartilhavam o fígado e uma membrana do coração. Calil ressaltou que durante as primeiras 48 horas após a operação as pacientes são monitoradas o tempo todo, mas esse tipo de reação, como o pneumotórax, já era esperado. ?É um período crucial porque, depois que os siameses se separam, existe uma verdadeira catástrofe no organismo. Até então, não se sabe como o organismo vai reagir. Em fração de minutos muda completamente a condição deles?, alertou. O cirurgião explicou ainda que, na maioria dos casos, os bebês maiores são os que mais sofrem com a separação porque eram os mais dependentes, como é o caso da Fernanda. ?Ela é a maior, então comia menos, mas recebia mais nutrientes. A Júlia, que é a menor, se alimentava em maior quantidade, mas recebia menos nutrientes?, afirmou.
Separação As siamesas separadas nasceram em Itamaraju, no interior da Bahia. Por conta da condição delas, os pais, Valdenir Neves e Lindalva Nascimento de Jesus, decidiram seguir para a capital goiana, em agosto do ano passado, para obter a cirurgia de separação. Desde então, elas aguardavam na Casa do Interior e, na última segunda-feira (11), as meninas foram internadas no HMI para iniciar o preparo. Apesar da dificuldade de nutrição de uma das irmãs, Calil afirmou que o caso delas é menos complicado do que os gêmeos Arthur e Heitor, que passaram pela cirurgia de separação em fevereiro do ano passado. Eles eram unidos pelo tórax, abdômen e bacia e compartilhavam o fígado e a genitália. Arthur não resistiu e morreu três dias após a operação. Conforme o médico, o caso de Júlia e Fernanda é mais similar à situação enfrentada pelas irmãs Maria Clara e Maria Eduarda, que foram operadas em setembro de 2015. Elas também eram unidas pelo abdômen e compartilhavam fígado e uma membrana do coração. Referência O HMI é considerado referência no parto, tratamento e separação de siameses em todo o Brasil. Em 14 anos, essa será a 16ª cirurgia de separação. De acordo com Calil, foram 27 casos acompanhados pela equipe do hospital nesse período. O primeiro procedimento foi realizado nas gêmeas Raniela e Rafaela Rocha Cardoso, de 12 anos, que nasceram unidas pelo abdômen, passaram pela cirurgia e praticamente não ficaram com sequelas: "Nossa história é impressionante?, afirmou Raniela ao G1 em dezembro de 2014.
