Não falta mais nada para que o Bahia, enfim, faça a mudança para sua nova casa. Nesta terça-feira (26), o clube recebeu a posse da Cidade Tricolor, centro de treinamentos em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Com isso, já pode ocupar o local e projetar as obras que serão necessárias para usá-lo.
“Foram, sendo bem preciso, 186 chaves entregues ao clube”, conta o assessor jurídico do tricolor, Vitor Ferraz. Além da Cidade Tricolor, o Bahia recebe um terreno no bairro do Jardim das Margaridas, vizinho ao Fazendão, e que dará um novo acesso ao atual centro de treinamentos.
Ter a posse, no entanto, ainda não significa que o Esquadrão tornou-se dono dos três imóveis. Para que receba a Cidade Tricolor, o clube terá que quitar os débitos dela com o município de Camaçari.
Para recuperar a propriedade do Fazendão – hoje sob domínio da construtora OAS – e receber o terreno vizinho, terá que pagar as dívidas com a cidade de Lauro de Freitas.
São impostos atrasados que o Esquadrão acertou de assumir no acordo firmado com a construtora OAS no final do ano passado. As taxas municipais de transmissão de propriedade e as despesas cartoriais são outros gastos que o clube terá que pagar antes de receber os imóveis.
O Bahia não tem projeção de quanto gastará com isso, mas pretende parcelar as dívidas: “São valores altos, mas existem programas de refinanciamento de dívidas e outras alternativas pra gente”, garantiu Vitor Ferraz.
Ainda no final do ano passado, após firmar o acordo com a OAS, o Bahia fez uma projeção de gastar mais de R$ 4 milhões com estas despesas. O valor foi colocado no orçamento deste ano do clube.
Obras necessárias
A Cidade Tricolor ficou pronta em junho de 2013, quando foi realizada a única visita da imprensa ao local. Desde abril de 2015, quando entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça, a OAS deixou de fazer a manutenção do equipamento.
“A gente tem ido à Cidade Tricolor com alguma constância, então a gente sabe exatamente como está”, afirma Vitor Ferraz. “Mas só a partir de agora que a gente vai poder fazer os estudos do que é preciso para deixar o centro apto para os treinos, fazer os orçamentos das obras e mobiliar”.
Em outra frente do negócio, o Bahia ainda precisa pagar o valor em transcons – espécie de moeda do mercado imobiliário – previsto no acordo aos três bancos credores da construtora OAS. O pagamento está em análise pelos três bancos. O valor em dinheiro, de R$ 7 milhões, já foi pago pelo clube em maio deste ano.
Passo a passo
Janeiro/2011 - O Bahia, sob a presidência de Marcelo Guimarães Filho, aprova a construção de um novo centro de treinamentos para o clube. Pelo acordo, o tricolor entregaria o Fazendão à OAS como permuta pela Cidade Tricolor. O Bahia teria que pagar ainda um valor de R$ 12 milhões e transferir 25% dos transcons que obteve com a desapropriação da sede de praia.
Junho/2013 - A Cidade Tricolor fica pronta e o Bahia convida jornalistas para uma visita. O equipamento apresenta quatro campos, bloco para o profissional com alojamento, espaço para a academia, piscinas, auditório e outras instalações para a base. Na época, a previsão era de se mudar até o final daquele ano. O Fazendão já estava sob propriedade da OAS.
Julho/2013 - A Justiça determina a intervenção no Bahia e a destituição do presidente Marcelo Guimarães Filho, assim como de toda a sua diretoria e do Conselho Deliberativo. Assume então o interventor Carlos Rátis. A Justiça determina também que seja realizada uma auditoria no clube, e o acordo da Cidade Tricolor é um dos pontos analisados.
Novembro/2014 - Já sob presidência de Fernando Schmidt, o Bahia chega a novo acordo com a construtora OAS para obter a Cidade Tricolor. Pelo novo acordo, o clube compraria o CT em Dias d’Ávila por R$ 10 milhões a serem pagos em dez anos, além de uma parte em transcons. O clube ainda teria de volta em imediato a propriedade do Fazendão, assim como um terreno vizinho.
Abril/2015 - A construtora OAS entra com pedido de recuperação judicial. Com isso, a devolução do Fazendão ao Bahia fica impedida, já que o imóvel, enquanto propriedade da OAS, estava como garantia de um negócio feito pela companhia com a Planner, empresa que respondia a três bancos. Para continuar o negócio, seria preciso a aprovação da Justiça.
Dezembro/2016 - Já sob a presidência de Marcelo Sant’Ana, o Esquadrão chega a um novo acordo, já com a aprovação da Justiça e dos credores da OAS: o clube continuaria recebendo o Fazendão e compraria a Cidade Tricolor. Desta vez, o pagamento teria que ser à vista, de R$ 7 milhões, além de assumir as dívidas do imóvel. Outra parte seria paga em transcons.
Março/2017 - O acordo é homologado na Justiça, ou seja, passa a valer a partir de então e é executado pelas partes. Em maio, o Bahia paga à vista o valor de R$ 7 milhões à Planner, que representa os três bancos credores da OAS. Com isso, os patrimônios da Cidade Tricolor e do Fazendão ficam à disposição da construtora para transferi-los ao clube.
Setembro/2017 - Com os equipamentos livres de credores, a OAS entrega a posse da Cidade Tricolor ao Bahia, assim como do terreno vizinho ao Fazendão. O passo seguinte para que o clube seja dono dos três imóveis é a quitação dos débitos acumulados por eles desde a intervenção judicial da OAS, em 2015, e que o Esquadrão acertou de pagar no acordo.
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