O julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acontece nesta quarta-feira (24) no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) e, segundo analistas e economistas ouvidos pela Folha de S. Paulo, a expectativa é de que o petista seja condenado por unanimidade.
No entanto, o esboço de dúvida, como no caso de um 2 x 1, já seria suficiente para ter impacto negativo em Bolsa e dólar.
A possibilidade já contemplada no recente histórico de recordes da Bolsa brasileira é o de ratificação da sentença redigida pelo juiz Sergio Moro em julho de 2017. "O movimento positivo na Bolsa desde o começo do ano tem um componente de exterior e a percepção do mercado de que viria uma condenação por 3 x 0, que dificultaria a candidatura de Lula", diz Silvio Campos Neto, economista da consultoria Tendências.
De acordo com Neto, a queda de 1,2% da Bolsa brasileira nesta terça (23) seria uma antecipação do resultado de quarta, com os investidores preferindo embolsar os lucros antes de a condenação ser confirmada pelo TRF-4.
O estrategista de investimentos do UBS Wealth Management, Ronaldo Patah, também avalia que uma parte da alta da Bolsa no ano contabiliza o cenário de uma disputa sem o ex-presidente, mesmo com a incerteza envolvendo a judicialização das eleições.
"Entre o 3 x 0 e o 2 x 1, claramente o mercado tem um viés de acreditar mais em um resultado unânime. Se a decisão do Moro for referendada, o impacto positivo na Bolsa e no dólar tende a ser menor que o reflexo negativo de um 2 x 1", afirma.
Já a absolvição de Lula poderia reverter toda alta recente da Bolsa, a valorização do real e a queda dos juros. "Pode ter um movimento de saída de investidores estrangeiros também. É um cenário inesperado", afirma Patah.
"O que não significa que o mercado também não comece a dizer que o Lula é legal, é paz e amor, e a Bolsa possa voltar a subir depois de dois ou três dias de queda."
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