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Geral Lorena Dias

O propósito das figurinhas

É jornalista e blogueira. É repórter da TV Aratu e escreve para o Mais Região às quartas, a cada duas semanas.

17/08/2018 09h34
Por: Redação Fonte: Lorena Dias
No tempo de escola, eu e minhas colegas tínhamos um hábito que era quase uma tradição: ninguém tocava na cartela de figurinhas que vinha junto com o caderno. As figurinhas eram algo tão especial que não deveriam ser usadas de maneira aleatória. Elas ficavam intactas de um ano para o outro e raramente eram utilizadas.

Recentemente, mexendo em uma gaveta no meu antigo quarto em Dias D'Ávila separando algumas coisas para trazer para Salvador, encontrei um classificador repleto dessas cartelas. Naquela época eu as havia preservado à espera de ocasiões especiais que nunca chegaram. E agora, muitos anos depois de ter terminado a escola (e até mesmo a faculdade), já não fazia mais sentido usá-las. De certa forma, elas haviam perdido o propósito. 

Quantas coisas na vida a gente guarda como se fosse uma cartela de figurinhas de caderno dos tempos de escola? Quantas palavras a gente deixou de dizer a espera do momento certo ou da pessoa perfeita? Quantos sonhos a gente guardou na gaveta porque ainda não havia surgido aquela oportunidade especial?

Sentada no chão, folheando as figurinhas, percebi como havia dado uma importância tão grande a algo tão pequeno. Que mal faria tê-las distribuído de maneira aleatória entre as anotações de matemática e português? Mal algum. Aquele sem dúvida era o momento certo para tê-las usado. Ter feito valer o seu singelo propósito de deixar mais divertidas as atividades rasuradas de caneta Compactor.

Tirei tudo o que havia na gaveta. Alguns papéis joguei fora, mas levei comigo as figurinhas. Hoje elas possuem um novo propósito. São um lembrete de como o momento presente é sempre o ideal para fazer aquilo que a gente tem vontade. E que a gente deve dosar o nível de importância que dá a algumas coisas na vida. Afinal, a maioria delas é tão passageira quanto a própria vida.
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