Se o topo nas urnas virou serventia na casa dos Isidórios, o sucesso em família é compartilhado em outros clãs políticos do estado. Este ano, pelo menos 23 integrantes de famílias tradicionais das urnas concorreram a algum cargo na Bahia. Desse total, só sete não foram eleitos.
Seguindo o exemplo “dos Isidórios”, Diego Coronel (PSD) foi eleito deputado estadual ao lado de seu pai, Angelo Coronel (PSD), que assumirá uma cadeira no Senado Federal em janeiro de 2019. Diego foi o terceiro mais bem colocado com 100.274 votos e Coronel foi o segundo senador mais bem votado, atrás apenas de Jaques Wagner (PT).
Atrás de “Isidório pai”, Otto Alencar Filho foi o segundo candidato a deputado federal mais bem votado no estado com 185.428 votos no estado. Ele é filho do senador Otto Alencar, que foi eleito ao Senado nas eleições de 2014 e cumprirá esse mandato até 2022. Além do filho, o irmão do senador Otto, Eduardo Alencar, ex-prefeito de Simões Filho, foi eleito deputado estadual.
Saindo da polarização de pai e filho, Marcelo Nilo (PSB) que foi eleito deputado federal, também elegeu seu genro Marcelinho Veiga (PSB) para deputado estadual.
Para o professor de Ciências Políticas da FTC, Jurandir Sá Barreto, a eleição dos filhos representa a busca da população pelo novo.
O professor explicou que muitos políticos tradicionais ficaram de fora dessa eleição - como Lúcio Vieira Lima (MDB), Antonio Imbassahy (PSDB), Jutahy Magalhães (PSDB) e José Carlos Aleluia (DEM). “Isso representa o desprezo que o povo está tendo dos velhos políticos, pela política tradicional. Isso faz com que eles apostem no novo. Há um desprezo do povo pela representatividade política antiga, que vem se repetindo há décadas. A eleição do novo é a resposta do povo aos políticos promocionais”, opinou.
O professor defende, no entanto, que o eleitorado “deveria pensar mais”. “É preciso ler e entender as propostas. Não pode ser o novo pelo novo. Até que ponto eleger filho de velhos políticos é renovação”, questionou.
Isidórios
Tanto Pastor Sargento Isidório como seu filho atribuem a vitória ao trabalho realizado pela família na Fundação Doutor Jesus, em Candeias, organização sem fins lucrativos que é voltada para o “tratamento e acolhimento” de dependentes químicos. “Nós não esperávamos uma votação tão expressiva assim, mas com certeza foi Deus. O povo reconheceu o meu trabalho, que é a minha obrigação por gratidão a Deus que me tirou das drogas, do álcool e da marginalidade”, afirmou Isidório pai.
Isidório afirmou que se o filho não seguir seus passos ele terá apenas um mandato. "Se ele negar a ferramenta do pai e não seguir os passos da honra e dignidade que eu tento seguir, ele será deputado de um mandato só. Ele deve reapresentar alguns projetos meus feitos na área da saúde, educação e segurança, a não ser que ele tenha sido eleito por ele mesmo", avisou.
"Se ele entender que foi eleito por Deus e pela mão do povo e do meu trabalho, ele vai continuar lutando pelos dependentes químicos. O presente que Deus deu a ele é muito grande para ele trocar por qualquer coisa", concluiu Isidório.
O filho afirmou que seguirá os passos do pai e reapresentará projetos de lei importantes mas que ele tem trabalho independente porque agora é “empregado do povo”.
“O filho sempre aprende com o pai; quanto mais ele que já teve três mandatos na Assembeia. Então, eu contarei com essa experiência. Se for preciso, nós iremos reapresentar projetos que não foram aprovados e criaremos projetos novos para continuar legislando para o que acreditamos”, garantiu.
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