Elisângela Almeida de Oliveira e o marido dela, Valci Boaventura Soares, foram presos nesta quinta-feira (11) por suspeita de envenenar uma mãe e duas filhas em Maragojipe, no Recôncavo baiano, entre julho e agosto deste ano. As mortes aconteceram sempre com intervalos de uma semana, nas segundas-feiras, e o caso ganhou as manchetes na época, considerado um mistério.
Segundo a Polícia Civil, Elisângela teria usado inseticida agrícola para matar Adriane Ribeiro Santos, 23 anos, e as duas filhas da vítima, Greisse Santos da Conceição, 5, e Ruteh Santos da Conceição, 2. O veneno foi misturado junto com uma comida ingerida pelas vítimas.
Ainda de acordo com a polícia, o casal vinha coagindo testemunhas para que não dessem informações e estava destruindo provas que poderiam revelar seu envolvimento nos crimes.
Eles são moradores de Conceição da Feira, no Centro Norte do estado, e frequentavam a casa das vítimas.
Os crimes ocorreram em 30 de julho e em 6 e 13 de agosto deste ano. A primeira a morrer foi a filha mais velha, de 5 anos. Exatamente uma semana depois foi a vez da mais nova; por fim, na segunda-feira seguinte, Adriane veio a óbito. Todas deram entrada em hospitais da região salivando bastante e com a taxa de açúcar no sangue elevada.
Mandado
No dia 28 de setembro, uma decisão publicada no Diário Oficial de Justiça da Bahia já indicava o casal Elisângela e Valci como suspeitos.
No documento, o juiz substituto da comarca de Maragojipe, Lucas de Andrade Cerqueira Monteiro, autorizou um mandado de busca e apreensão na casa deles, em Conceição da Feira.
A decisão foi uma resposta a um pedido da Delegacia de Maragojipe, que apresentou o argumento de que “ali podem estar escondidos resquícios de produtos nocivos à saúde empregados para a prática de homicídios”.
Na publicação, o juiz cita que o Ministério Público Estadual (MP-BA) foi contrário ao mandado por acreditar que a polícia não conseguiu demonstrar que a diligência era imprescindível.
O texto segue afirmando que, em depoimentos, testemunhas apontaram que Elisângela e Valci estiveram em Maragojipe por alguns dias – justamente o período que coincidiu com as três mortes no povoado de Nagé, todas sob suspeita de envenenamento.
“Constam relatos no sentido de que Elisângela comprou os materiais para a preparação de um chocolate, entregou um chocolate à vítima Adriane e insistiu para que ela o consumisse e que esta foi a última coisa ingerida pela vítima. Momentos mais tarde, a vítima veio a óbito sob suspeita de envenenamento. Há, portanto, indícios de que a requerida possa ter participado de eventual delito de homicídio por meio de envenenamento”, diz a decisão.
Para o juiz, a existência de substâncias que poderiam ter provocado a morte da família na casa de Elisângela e Valci era “plausível”. No próprio texto da decisão, o magistrado solicita que a publicação aconteça somente após o cumprimento do mandado, para “resguardar a utilidade da medida”. Segundo fontes ligadas ao CORREIO, o mandado foi cumprido no dia 21 de setembro.
A suspeita sobre esse casal não é recente. Parentes das vítimas já tinham revelado que acreditavam na possibilidade de os dois terem cometido o crime. Elisângela e Valci teriam conhecido a família através de cultos na igreja que Adriane e Jeferson frequentavam – a Assembleia de Deus de Nagé.
Entre os moradores, poucos querem comentar a suspeita. Mesmo assim, alguns dizem que o tal casal era o único diferente na cidade. Há cerca de um ano, apareceram por lá. A mulher ficou famosa por fazer bolos por encomenda. Os vizinhos contaram que era frequente encontrar o casal acompanhado de Adriane e Jeferson.
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