O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, recuou em relação à defesa da fusão dos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, após visita ao presidenciável Jair Bolsonaro, na casa do deputado, em condomínio na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
“Podemos sim rever a fusão da pasta da Agricultura e do Meio Ambiente, se tiver que funcionar a pasta da Agricultura aqui e o Ministério do Meio Ambiente lá, tudo bem, vai valer a vontade da maioria da sociedade, ninguém quer mais um governo autoritário, duro, sem flexibilidade, com arrogância”, disse ao sair do encontro com Bolsonaro.
A declaração contraria outra dada por Nabhan antes da visita, quando disse que era “inevitável” a fusão dos dois ministérios por serem os que mais têm sintonia. “Se for melhor para o Brasil que haja o Ministério da Agricultura separado do Meio Ambiente, depois de eleito todos vão sentar e o presidente ouvir toda a sociedade”, disse. Acompanhado de cerca de 40 ruralistas que afirmaram apoiar o nome de Nabhan para ministro, o líder da UDR informou que não teve sua nomeação confirmada para a pasta, “e nem era esse o objetivo da visita”.
“Hoje (ontem) foi a vez dos produtores, de quem ajuda a pagar a conta do Brasil, viemos reiterar nosso apoio, que sempre demos, incondicional, desde o início da caminhada. Ele (Bolsonaro) reiterou que a base produtora vai indicar a composição do Ministério da Agricultura”, disse.
Agricultura familiar
Bolsonaro afirmou, ontem, no Twitter, que a agricultura familiar precisa ser protegida, uma vez que é responsável por cerca de 70% da produção do que é consumido no país. “Todo e qualquer país do mundo busca sua segurança alimentar. Aí está a importância de sua proteção”.
O candidato também falou sobre infraestrutura. Ele disse que é preciso “desburocratizar, simplificar e pensar de forma estratégica” o setor para que ele deixe ser um “gargalo” para se “transformar em solução”. Ele citou o Fórum Econômico Mundial do ano passado
e a posição do Brasil em relação a outros 136 países segundo Global Competitiveness Report de 2017.
Bancada evangélica divulga ‘plano de governo’
A Frente Parlamentar Evangélica divulgou ontem um plano de diretrizes para o novo governo, que foi entregue ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, na semana passada. O documento de 60 páginas, intitulado “O Brasil para os brasileiros”, aborda pontos como segurança jurídica, educação e pede também uma modernização previdenciária. “Nós queremos oferecer ao novo governo uma linha de pensamento nossa”, afirmou o presidente da frente, o deputado Hidekazu Takayama (PSC-PR).
Sobre a Previdência, o estudo afirma que “a modernização previdenciária deve ter como princípios a contributividade e a sustentabilidade financeira, lastreada em robusto cálculo atuarial”. O texto afirma ainda que o tema deve passar por amplo debate, mas sugere proteção ao direito adquirido e à expectativa de direito. Sugere ainda a instituição de comissão de notáveis para propor “a melhor fórmula atuarial possível, após amplo ciclo de debates com o parlamento e com a sociedade, que garanta a sustentabilidade financeira da Previdência pública e a proteção aos segurados”, diz.
Ainda sobre o mesmo tema, os evangélicos defendem o combate aos privilégios, com a igualdade de regras entre a aposentadoria do setor privado e do setor público e uma contribuição mensal simbólica para o segurado especial rural, no valor de 0,5 % do salário mínimo, “como forma de combater o grande número de fraudes nessa modalidade”.
O texto fala ainda sobre modernização do Estado, com redução do número de ministérios. O documento propõe, por exemplo, a extinção de todos os cargos comissionados de chefia, níveis 1 e 2, o que reduz quase pela metade o número de cargos de livre nomeação.
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