Preterido pelo governo de Jair Bolsonaro, o senador Magno Malta (PR-ES) tentou minimizar nesta quarta-feira (5) qualquer sentimento de frustração. Ao voltar para o Senado, após o futuro governo escolher quase todos seus ministros, Malta disse que o compromisso dele com o presidente eleito se encerrou no dia 28 de outubro, data do segundo turno das eleições presidenciais. "Não sou homem de frustração."
Magno não quis parar para responder as perguntas da imprensa sobre o assunto, caminhou em direção ao gabinete pessoal enquanto era questionado e, por isso, falou por apenas três minutos, aproximadamente. Gesticulando bastante, ele negou qualquer tipo de arrependimento.
"De jeito nenhum me arrependo de ter me dedicado. Continuo lutando por ele, defendendo ele, acredito nele, acredito no caráter dele. É o homem para o Brasil. Não me arrependo de nada. Faria tudo de novo", afirmou. "Não sou homem de frustração. Sou homem de luta e luto por aquilo que acredito. Eu sou homem que depende de Deus, acredito nas coisas de Deus. Deus levantou Bolsonaro e pronto", resumiu.
O senador também ouviu perguntas sobre a declaração de Bolsonaro, que, mais cedo, justificou dizendo que Magno Malta "não se enquadrou". "Aí você tem que perguntar pra ele. Não interpretei (essa resposta de Bolsonaro). Ele é o presidente. Como eu montei meu gabinete, ele tem que montar o dele", afirmou antes de tentar jogar a interpretação para o repórter que o questionou. "Se você não está entendendo, você tem que procurar, deduzir. Não sou eu que vou responder pra você. Entendo que ele é o presidente, mas quem tem que montar o gabinete dele é ele", complementou.
O senador do PR ainda negou que tenha indicado sua assessora parlamentar e pastora evangélica Damares Alves para o comando do ministério dos Direitos Humanos, mas a classificou como uma "mulher completa". "Ela foi convidada por competência própria. Não foi indicada por mim. Damares é uma mulher repleta, completa, conhece as questões dos índios, das crianças, de drogas, de automutilação. Todas as bandeiras que eu defendo, ela sabe muito. Não fui eu que indiquei e ela é preparada para tal", disse.
Por fim, Magno Malta foi questionado sobre qual avaliação o eleitorado faria da sua ausência no governo. "Isso é normal. Eu cruzei o Brasil inteiro levando a mensagem juntamente com ele. As pessoas me conheceram, as pessoas sabem, mas as coisas não são assim. As coisas não dependem de mim, dependem de Deus", disse.
Ministério não é 'adequado'
Após o senador Magno Malta (PR-ES) afirmar que deixará a política, nesta quarta-feira, 5, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, disse que "as portas estão abertas" para o capixaba em seu futuro governo, mas não como ministro.
Bolsonaro afirmou, ainda, que se ofertasse ministério a todos os seus amigos "ficaria complicado". "O perfil dele não se enquadrou nessa questão, apenas isso. Continuo devedor, sou grato. As portas da transição estão abertas", reforçou.
Ele disse, ainda, que tem uma "dívida de gratidão" com Malta, mas que não houve comprometimento em oferecer um ministério para o senador, que não conseguiu se reeleger, durante a campanha. Bolsonaro também lembrou que ofereceu a vaga de vice para Malta em sua chapa, mas que ele optou por tentar a reeleição.
Nesta quarta, Malta declarou, em entrevista ao site The Intercept Brasil, que ainda torce por Bolsonaro e o considera "um amigo". Mas também avaliou que "muita gente que falava mal dele, não pedia voto, e agora tá aí, se aproximando". Ele também disse que quer se dedicar ao projeto de recuperação de viciados em drogas que mantém em Cachoeiro (ES) e ver os netos crescerem. "O meu papel foi feito. Tudo passa nessa vida", comentou.
O presidente eleito chegou a convidar a assessora parlamentar de Malta, Damares Alves, para o Ministério dos Direitos Humanos, mas ainda não houve um posicionamento definitivo sobre o assunto nesta quarta, Bolsonaro reforçou que ela continua entre as cotadas, mas ainda não tomou a decisão.
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