A situação dos brasileiros que vivem ou fazem turismo na região de fronteira com Venezuela causa apreensão em autoridades nacionais que negociam um acordo para permitir a travessia deles, desde que a passagem oficial foi bloqueada pelo regime do presidente Nicolás Maduro, na última quinta-feira, 21. Oficiais do Exército relataram à reportagem que a diplomacia faz tratativas para conseguir uma permissividade maior.
Segundo os militares, que falaram na condição de anonimato, nesse momento os brasileiros que visitavam o Monte Roraima, cuja entrada passa pela área indígena onde houve um confronto com mortos, estão sendo acolhidos por um vice-cônsul do Brasil em Santa Elena do Uairén, primeira cidade do lado venezuelano. A estimativa dos oficiais é de que 2.000 brasileiros vivam em Santa Elena. Todo o abastecimento de comida é atualmente provido por Roraima.
"O vice-cônsul do Brasil em Santa Elena (Ewerton Oliveira) está acolhendo esse pessoal até que se sintam seguros", disse o coronel Georges Feres Kanaan, coordenador operacional adjunto da Força Tarefa Logística Humanitária. A expectativa é de que o bloqueio na fronteira seja mais "seletivo". "As ambulâncias, por exemplo, passam e o vice-cônsul faz a segurança e a proteção desse pessoal e até dele mesmo.", acrescentou.
"A ordem é negociar. Existem muitas pessoa agitando do lado de lá e de cá", disse um servidor do Consulado brasileiro em Santa Elena, que atravessou a fronteira pela estrada bloqueada, com autorização da Guarda Nacional Bolivariana. "O que aconteceu em Santa Elena é inaceitável, mas não é problema nosso, é um problema deles", afirmou, em referência ao confronto interno de ontem, que deixou ao menos três mortos e dezenas de feridos."
Agentes de viagem de Boa Vista que conversaram com a reportagem estimaram em 60 o número de brasileiros que faziam a travessia do Monte Roraima quando a fronteira foi bloqueada, na noite de quinta-feira. Há ainda turistas de outras nacionalidades.
Um grupo deles, com mochilas de caminhada, conseguiu fazer a travessia ontem, por meio de trilhas abertas na mata de savana. O trajeto dura cerca de 3 horas e é considerado arriscado e ilegal pelas autoridades brasileiras, mas tem sido o único meio chegar ao País. Outros 13 mochileiros deveriam chegar hoje e estão no caminho.
O Brasil ainda possui adido militar em Caracas e uma representação diplomática com um encarregado de negócios. Não há militares, ao menos oficialmente, em Santa Elena, cidade onde antichavistas e as forças bolivarianas entraram em choque ontem
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