O ex-ministro e candidato derrotado à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT), durante uma entrevista, criticou a proposta de autonomia do Banco Central, anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro como uma de suas promessas de campanha e assinada nesta quinta (11). Conforme o pedetista, uma eventual aprovação desse projeto é caso de “ir para rua e quebrar tudo”.
“Se começar a privatizar os dois últimos bancos públicos e entregar o Banco Central ao predomínio do sistema financeiro simplesmente se está destruindo a sustentação do povo brasileiro. Isso é daqueles casos de a gente ir pra rua e quebrar tudo”, disse Ciro.
Perguntado sobre essa expressão, Ciro avisou se tratar de uma metáfora e do efeito de ter recebido a notícia por jornalistas no meio da entrevista. Logo após comunicou que “uma medida como esta da autonomia do Banco Central não pode ser aceitada passivamente”.
“Atribua minha reação a uma surpresa que acabei de ter, mas não acho que o povo brasileiro deva aceitar passivamente uma medida dessas. Uma maneira de reagir é ir pra rua de forma calorosa. E eu não vou mandar ir, eu vou junto”, informou o pedetista.
Observatório Trabalhista e reforma da Previdência
O partido de Ciro Gomes, PDT, lançou nesta quinta também uma plataforma denominada de Observatório Trabalhista, no qual pretende acompanhar os indicadores do governo de Jair Bolsonaro. Foram apresentados números que indicariam queda na execução orçamentária nos primeiros dias da atual gestão nas áreas de educação, saúde e segurança.
O ex-ministro ressaltou, por algumas vezes, que ainda não podia cobrar resultados efetivos do governo, mas pode questionar direções apontadas. Nesta linha, faz ataques à política externa que começa a ser implementada.
“O governo Bolsonaro, na minha opinião, já merece crítica severa em relação à forma e conteúdo com que tem se posicionado, é quase criminosa a conduta do governo brasileiro em relação aos interesses nacionais e subalternação a interesses, é chocante e constrangedora a vassalagem do governo brasileiro ao império norte-americano”, opinou.
Sobre sua opinião sobre a reforma da Previdência, Ciro revelou que sua proposta prevê um regime de capitalização apenas após um patamar salarial superior a R$ 4 mil, a manutenção de um regime de repartição até este montante e a garantia de se manter todos os benefícios previdenciários vinculados a um salário mínimo. Para ele, a proposta pelo governo atual deve ser rejeita pelo Congresso Nacional.
“Estaríamos produzindo uma imensa e precoce legião de mendigos de idade elevada no Brasil”, argumentou Ciro.
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