Para finalizarmos a nossa série de textos sobre a relação entre o esporte e a saúde, vamos abordar a fase adulta. Assim como nos outros dois textos, iremos dividir dois grupos de praticantes de desportos, o grupo de alto rendimento e o de recreação.
O esporte de alto rendimento, nesta fase, conta apenas com a elite dos atletas. E para estar na elite é necessário muito treino, dedicação, esforço e sacrifício. Isto é, muita disciplina, alimentação regrada, horas de sono bem dormidas, mais de uma sessão de treino por dia, abrir mão de noitadas e eventos, dentre outros fatores.
Desta forma, um atleta terá sua musculatura muito bem desenvolvida, o seu sistema cardiorrespiratório bastante resistente e pouca propensão a doenças cardiovasculares. Porém, certamente precisará superar lesões e conviver com a dor constantemente. Portanto, podemos afirmar, sem medo de errar, que esporte de alto rendimento não é saúde.
Mas e o outro lado da moeda? A prática de uma modalidade desportiva para a recreação e o lazer é algo sempre muito bem visto e recomendado pelos profissionais da área da saúde, com toda razão. Porém, devemos estar atentos a alguns detalhes.
Já falamos bastante sobre os benefícios do exercício físico para o corpo humano, e praticar esportes é uma excelente estratégia. Muita gente acha a academia ou a corrida atividades muito monótonas, então, uma solução muito mais atrativa e prazerosa pode ser jogar futebol, vôlei ou basquete com os amigos.
O importante é respeitar as limitações fisiológicas de cada indivíduo, e assim como tudo na vida, é bom evitarmos exageros. Diversos estudos apontam que os “atletas de final de semana” apresentam alto risco de lesões e acidentes cardiovasculares.
Isso acontece por conta de alguns fatores, vamos destacar aqui alguns deles:
Primeiro, fazer exercício físico apenas 1 vez por semana não proporciona condicionamento físico suficiente para uma atividade de intensidade vigorosa, como uma partida de futebol.
Segundo, com o avançar da idade há também uma tendência ao aumento do peso e do percentual de gordura, diminuição da flexibilidade e da força, fatores que aumentam o risco de acidentes durante o exercício físico vigoroso.
Terceiro, em qualquer modalidade de esporte coletivo, em algum momento, o jogador terá que fazer um esforço a mais, uma corrida em velocidade, uma troca de direção brusca, uma esticada a mais na perna para alcançar uma bola dividida. E é justamente neste momento que podemos, sem querer, ultrapassar o nosso limite.
Poucas são as pessoas que possuem a consciência de que, com o avançar da idade, o corpo delas já não possui mais o mesmo desempenho que na juventude. Por isso, cometemos exageros, e em algum desses exageros podemos ter o azar de o corpo realmente não suportar, e isso se traduz em lesão.
Mesmo com esse risco, se você gosta e se sente bem fazendo esporte, pratique! Afinal de contas, faz bem para o coração, para o pulmão, para o cérebro e ainda possui o fator social. Basta apenas que tenha a precaução de não exceder os seus limites e estar em dia com seus exames cardiológicos.
Portanto, mais uma vez, podemos dizer que esporte é saúde sim! Desde que sem exageros, ou seja, respeitando a individualidade biológica e o nível de aptidão de cada um.
E com essa conclusão finalizamos o nosso último texto da série “Esporte é saúde?”, muito obrigado por ler até aqui e até o mês que vem!
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