Estamos em um ano Olímpico, 24 de Julho é a data em que começam as Olimpíadas de Verão de Tóquio, no Japão. Um momento de celebração do esporte, a competição mais importante para os atletas e maioria das modalidades participantes (com exceção do futebol).
Porém, este ano teremos o desfalque de uma das grandes potências que sempre disputa as primeiras colocações do ranking olímpico. Não é a primeira vez que a Rússia (antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas - URSS) fica de fora dos jogos, mas é a primeira vez que desfalca a competição por conta de doping!
Para falarmos sobre isso, primeiro precisamos entender: o que é doping?
O conceito de doping está sempre evoluindo e se modificando, mas é basicamente o uso de quaisquer substâncias ou métodos ilegais que possibilitem uma melhora no desempenho de um atleta e/ou coloquem sua saúde em risco.
Esses métodos vão desde a utilização de hormônios esteroides à administração de medicamentos comuns, porém que contém algumas substâncias químicas que possam proporcionar alguma vantagem fisiológica. Não é raro vermos casos de atletas que caíram no doping alegarem que estavam fazendo o uso de medicamentos para calvície, ou gripe, entre outros.
Para evitar esses casos, a WADA (World Anti-Doping Agency), Agência Mundial Antidoping, disponibiliza uma lista enorme de substâncias proibidas, que pode ser acessada através do site da agência wada-ama.org.
Tá certo, não é raro vermos casos de atletas que caíram no doping e perderam suas medalhas e troféus, só nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, 6 medalhistas foram desclassificados. Outro exemplo famoso é o do ciclista Lance Armstrong, que após anos assumiu publicamente que utilizou substâncias proibidas.
Mas, o que fez com que um país inteiro tivesse seu direito de competir bloqueado por 4 anos? Isto é, a Rússia estará fora das Olimpíadas de Verão no Japão em 2020, fora das Olimpíadas de inverno na China em 2022 e da Copa do Mundo do Qatar em 2022.
Isso aconteceu por conta de todo um esquema envolvendo o Ministério de Esportes da Rússia, laboratórios e agências governamentais do país. O esquema ficou conhecido como “Método do Desaparecimento Positivo”, que transformou cerca de 312 teste positivos em negativos, isto é, “limpos”. O caso ganhou notoriedade quando o chefe do laboratório antidoping renunciou ao cargo após ser acusado de ter destruído mais de 1400 amostras dos exames positivos dos russos, em 2015.
Por conta disso, a Rússia foi impedida de participar das provas de atletismo nas Olimpíadas do Rio, mas ainda se fez presente nas demais modalidades. Uma excelente indicação para entender melhor a respeito do caso russo, é o documentário Ícaro.
Agora que entendemos o caso russo, vamos falar um pouco mais sobre o doping em si. Existem várias discussões a respeito do tema. vamos abordar aqui 2 delas.
A primeira é: deveria realmente haver um controle tão rígido a respeito do doping? As pessoas que defendem esse raciocínio alegam que liberando a utilização de substâncias que melhorem o desempenho dos atletas, as competições ficaram cada vez mais emocionantes, com quebras de recordes mais frequentes e apresentações mais magníficas, deixando os esportes ainda mais vendáveis e lucrativos.
Porém, pelo outro lado, o uso desse tipo de estratégias colocaria ainda mais em risco a saúde dos atletas, acarretando doenças degenerativas, endócrinas, cardíacas, câncer, dentre outras. E tudo em nome de ter uma melhora de milésimos de segundos mais rápidos, ou de movimentos milimetricamente mais precisos. Somando ao fato de premiar aqueles que têm a melhor equipe médica e laboratorial, por desenvolverem os melhores soros e medicamentos, ao invés de premiar o esforço individual e sacrifícios dos atletas.
A segunda discussão é: o doping evolui muito mais rápido do que o antidoping, de forma que muitos atletas podem estar sendo beneficiados de formas que as agências de fiscalização não fazem nem ideia. Um fato que reforça esse pensamento é que até os russos serem descobertos, ninguém imaginava que eles tinham um esquema tão complexo e sofisticado para burlar o sistema de antidoping, e nada nos garante que outras potências também não façam usos de esquemas ainda mais secretos.
A liberação de substâncias ergogênicas acabariam com essa dúvida e com possíveis vantagens desses atletas e países que podem estar sendo beneficiados.
Agora que eu gerei uma reflexão na sua cabeça, posso colocar o meu ponto de vista. Acredito que essas substâncias devam sim ser controladas, pois acredito mais em qualidade de vida e bem-estar, mas não duvido que são e serão desenvolvidas cada vez mais formas de burlar os exames antidopagem, até chegarmos no doping genético, mas isso já é um tema para um próximo texto.
Muito obrigado por ler até aqui! Nos encontraremos novamente no próximo mês, até lá!
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