Na vizinhança do bairro de Armação, Wallas Saldanha, 25 anos, vê o movimento com assombro. "Não estão dando a devida consideração", opinou. Depois de um mês de isolamento, há quem insista em banhos de mar e manhãs de bronze nas areias. Virologista aponta riscos para os teimosos banhistas.
A Prefeitura de Salvador anunciou que ampliou a interdição do número de praias e iniciou fiscalização no Cantagalo e na Boa Viagem, ambas localizadas na Cidade Baixa.
Eram seis as praias interditadas, desde o dia 21 de março, por decreto municipal na capital baiana. A primeira lista incluía as mais movimentadas: Farol da Barra, Porto da Barra, Rio Vermelho, Itapuã, Piatã e Ribeira. Na prorrogação do decreto, em 17 de abril, foram incluídas Cantagalo e Boa Viagem. A interdição das praias foi prorrogada até o dia 4 de maio.
"Recebemos a informação de que estavam sendo frequentadas. Em outras praias, não recebemos denúncias de aglomeração. Temos visto um respeito às interdições", informou Maurício Lima, diretor da Guarda Municipal, responsável pelas fiscalizações.
Nos finais de semana, em algumas praias mais afastadas, não é necessariamente o que se observa. No domingo passado, recebemos uma foto da Praia do Flamengo com banhistas em circulação. À esquerda da imagem, duas famílias confraternizam.
O virologista Gúbio Soares explica que há riscos de as praias serem vetores de contaminação.
"Geralmente as pessoas se juntam, batem papo com um e outro. E isso é só o que vírus precisa", explicou.
A única condição ideal seria poder garantir que você estaria sozinho na praia, ressaltou o professor da Ufba. Em cidades como Salvador, é impossível.
Na primeira semana, Wallas até percebeu um respeito à quarentena. Na segunda, uma pessoa aqui e ali. Na terceira, "não parecia que estava acontecendo nada", disse. "Muita gente também tem ido para a orla se exercitar, achando que é um lugar para o qual podem ir", denunciou.
Os exercícios nas orlas é uma questão à parte. A Prefeitura também avalia proibí-los. Desde o dia 1º, são feitos desmontes de academias ao ar livre - são 230 na cidade. Gotículas contaminadas podem atingir uma distância de até 20 metros, dizem estudos
Advogado e especialista em Direito da Saúde, Wallas planeja uma transmissão ao vivo acompanhado por médicos, nas redes sociais, para explicar os riscos de ir às praias e orlas.
"Semana passada, que choveu em Salvador, encheu de surfista em Armação", contou.
Apesar de o isolamento físico ser feito em agora oito praias, todas as demais da cidade estão proibidas para banho e uso da faixa de areia para evitar aglomerações. É possível denunciar de forma sigilosa pelo site do Fala Salvador e pelo telefone 160. A ligação custa um pulso de ligação normal para número fixo, que varia de cada operadora. As fiscalizações da guarda são feitas diariamente com 60 agentes e 15 veículos.
A Prefeitura de Salvador informou que, para garantir o cumprimento da lei, placas informativas foram implantadas nas oito praias interditadas e agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) e da Guarda Civil Municipal (GCM) iniciaram a fiscalização.
Agentes da Semop vão evitar a presença de comerciantes na praia e entorno. Já os guardas municipais agirão de maneira educativa, orientando a população a respeitar a interdição e a não frequentar o local. Tomar sol e se exercitar em casa é o recomendado.
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