A inquilina do arquiteto Yuri Guimarães antes de vencer o mês do aluguel, o chamou para uma negociação do valor logo após saber que não iria receber o valor integral do salário. Yuri não hesitou em tentar o quanto antes um acordo com a moradora, principalmente porque o período do contrato está chegando no fim:
“A gente chegou a uma redução de 30% durante os três meses até o final do contrato que termina em junho. Ela me disse que que estava olhando outro imóvel mais barato já que não conseguiria pagar o mesmo valor. Como eu não conseguiria também alugar facilmente para facilmente a outra pessoa agora então nós chegamos a esta proposta”, conta.
O aluguel é só uma das despesas fixas que vão exigir do consumidor mais jogo de cintura do que de costume na hora de manter as contas em dia diante deste estado de pandemia. Se de um lado, o isolamento social está aumentando o consumo com água, energia e internet, do outro, os efeitos da crise estão provocando também perda de renda e inadimplência.
Yuri fez bem em aceitar o acordo como destaca a educadora financeira comportamental, Meire Cardeal. Buscar uma negociação ganha-ganha é a estratégia para quem precisa diminuir os gastos com aluguel e condomínio agora. “Como todos estão passando pelo mesmo momento de dificuldades está havendo maior boa vontade e disponibilidade para renegociações e as pessoas O momento é de redução de custo, redução de consumo, revisão de hábitos”.
Ainda que o aperto seja grande, a gente montou junto com a especialista um guia para ajudar o a segurar a onda das despesas essenciais nesse momento. Entre os custos listados estão a conta de energia, água, o condomínio, aluguel e também os serviços de telefone, televisão e internet (veja mais detalhes abaixo).
“Duas ações são muito importantes neste momento: organizar as finanças para saber o que deve ser reduzido ou cortado e antecipar-se nas renegociações. Não se deve esperar ser cobrado, a antecipação promove maiores chances de sucesso. Não deixe de fazer um levantamento das despesas fixas e variáveis, analisar a capacidade atual de pagá-las. Isso vai proporcionar a visão real do seu orçamento”, pontua Meire Cardeal.
Em até 12 vezes
A Coelba, por exemplo, é uma das empresas que adequaram as condições de pagamento face a situação de pandemia, principalmente, para aqueles que tem algum débito que agora podem parcelar as contas de luz em 12 vezes no cartão de crédito. A Embasa, por outro lado, optou pela negociação caso a caso, mas está em fase de implantação de opções de débito e crédito para pagamento na Agência Virtual.
O fato é que a adesão a estes parcelamentos tem crescido bastante, como analisa a gerente de atendimento ao cliente da Coelba, Adriana Teodorio. “Avaliamos que diante do cenário provocado pela pandemia da COVID-19 seria importante facilitar a vida dos clientes e oferecer a possibilidade do parcelamento da conta. As solicitações cresceram em torno de 20% nessa primeira quinzena de abril, em relação ao mesmo período de março”.
Os parcelamentos também foram a solução encontrada pela grande maioria das operadoras de internet, telefonia e serviços de televisão a cabo, exceto a Sky que não adotou até o momento nenhuma condição especial. No geral, os planos possibilitam o parcelamento da dívida em até 10 vezes e a depender da empresa há isenção de multa e prorrogação da data de vencimento em 15 dias.
Ainda que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tenha proibido o corte de fornecimento de energia elétrica por 30 dias e a uma decisão da Justiça baiana impeça que Embasa suspenda fornecimento de água durante três meses por causa do coronavírus, Meire Cardeal recomenda que qualquer conta em aberto seja logo renegociada para não virar uma bola de neve no pós-pandemia: “Este é o momento de revisar, refletir e reorganizar o orçamento financeiro. Nenhuma dívida vai deixar de ser cobrada quando a pandemia passar”, completa.
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