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Geral Coronavírus

Homens são flagrados com 30 mil comprimidos de Ivermectina na região de Itaberaba

Após uso indiscriminado da medicação, Anvisa decidiu que a venda agora só irá ocorrer com a retenção da receita pela farmácia

31/07/2020 10h51
Por: Keila Abreu Fonte: Correio24horas
Divulgação
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Quase 30 mil comprimidos de Ivermectina foram apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal, na noite de quinta-feira (30), em frente a unidade policial da PRF, localizada no Km 230 da BR 242, em Itaberaba, na região da Chapada Diamantina. O flagrante ocorreu após os policiais darem ordem de parada a um Fiat/Doblo, com dois ocupantes. Durante a entrevista, os policiais constataram um certo nervosismo do motorista e do passageiro, o que os instigou a fazerem buscas minuciosas no interior do veículo, onde encontraram 7.320 caixas da medicação.

Após o flagrante, foi solicitada a documentação legal para o transporte, porém, o condutor entregou uma nota fiscal que continha dados divergentes do material transportado. No documento apresentado, o local de destino dos medicamentos seria a cidade de Natal (RN), contudo, o veículo seguia uma rota contrária.Outro fato observado que o número de lote e data de fabricação dos produtos apreendidos, não eram condizentes com o discriminado na nota fiscal. Diante dos fatos, os homens assinaram o Termo Circunstanciado de Ocorrência- TCO e vão responder por suas condutas perante o Juizado Especial Criminal (JECRIM). Todo o material apreendido será entregue a Vigilância Sanitária.

Aos policiais, os homens relataram que embarcaram a mercadoria na cidade de Barreiras, no oeste baiano, a pedido de um caminhoneiro e durante o percurso da viagem estavam realizando a venda fracionada do medicamento para farmácias da região. A procura pelo medicamento cresceu durante as últimas semanas em Salvador e não são raros os casos de farmácias que esgostaram os estoques. No entanto, na noite do último dia 23, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu que a venda da Ivermectina agora só irá ocorrer mediante prescrição médica e com a retenção da receita pela farmácia.

A decisão da Anvisa foi comentada pelo secretário de Saúde do Estado da Bahia, Fábio Vilas-Boas, no Twitter. Segundo o secretário, a medida é importante "porque tem pessoas usando para evitar o coronavírus, tomando toda semana. Casos de neurotoxidade estão sendo relatados", escreveu o secretário no microblog.

Com a norma da Anvisa, que visa coibir a compra indiscriminada do remédio, a Ivermectina entra na lista de outros 'queridinhos' que as pessoas vêm adotando para prevenir ou tratar a covid-19 por conta própria, sob risco de agravarem quadros de saúde ou terem sequelas, e que já estão sendo vendidos somente mediante prescrição e retenção da receita, como a hidroxicloroquina, cloroquina e nitazoxanida (Annitta). Até antes da portaria da Anvisa ser publicada, o protocolo de venda não exigia receita.

Pela norma da Anvisa, cada prescrição de Ivermectina terá validade de 30 dias, a partir da data de emissão, e só poderá ser utilizada uma vez. A receita terá de ser em duas vias, uma para ficar retida na farmácia e uma com o paciente. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) na noite desta quinta-feira, 23.

Antiparasitário
Segundo a Rede CoVida, projeto de colaboração científica e multidisciplinar focado na pandemia de covid-19, formado pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e a Universidade Federal da Bahia (Ufba), a Ivermectina é uma potente droga antiparasitária - o popular remédio de verme - conhecida há muito tempo e amplamente utilizada. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elegeu a Ivermectina como droga para o programa de eliminação global da oncocercose - doença parasitária endêmica em vários países e responsável por causar cegueira.

Farmacêutica do Centro de Informação sobre medicamentos do Conselho Regional de Farmácia do Estado da Bahia (CRF-BA), Maria Fernanda Barros aponta que o uso indevido do remédio pode gerar efeitos colaterais como diarreia, náuseas, anorexia e constipação. Além disso, pode desencadear reações ao Sistema Nervoso Central e consequências na pele com urticária, prurido e erupções.

"Qualquer medicamento tem reações adversas se não for utilizado de forma correta e pode produzir danos a quem for utilizar. Por isso que qualquer utilização de medicamentos, principalmente nesse momento de pandemia, não deve fazer por conta própria", diz a especialista.

Diretor de toxicologia e avaliação de risco da startup paulistana Altox, especializada em pesquisa de segurança toxicológica e farmacêutica, o baiano Carlos Eduardo Matos explica que em casos como esse, da suposta eficácia de um remédio contra o coronavírus, as pessoas precisam se questionar e buscar saber se alguma agência de saúde internacional testou a eficácia, os riscos e benefícios do medicamento em questão.

"A única novidade de evidências que temos é da Dexametasona, em que se sugere redução da mortalidade para pacientes graves e uma boa corrida nas vacinas que estão na fase III [das testagens]", afirma.

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