O Grupo Boticário deixará de usar o termo “Black Friday” para o tradicional evento de promoções do varejo que costuma ocorrer na última sexta-feira de novembro. Nas ações da companhia, o período promocional, que costuma durar mais do que apenas um dia, vai se chamar “Beauty Week”.
A decisão foi anunciada em uma publicação desta terça-feira (29) do presidente da fabricante de produtos de beleza, Artur Grynbaum, em seu perfil do LinkedIn e busca reparar o potencial impacto racista do uso do termo.
“Há anos conversamos sobre a possível origem do termo ‘Black Friday’, sobre a ausência de dados científicos que comprovem que ele realmente não se relaciona à questão da escravatura. Então, respeitando os movimentos que sentem desconforto com o termo, decidimos parar de refletir e começar a agir – não teremos mais o termo ‘Black Friday’ no Grupo Boticário. Precisamos de algo maior e essa transformação deve começar por nós”, escreveu Grynbaum, no texto intitulado de “O nosso adeus ao uso do termo Black Friday”.
O executivo ressalta que esse não é seu “lugar de fala, enquanto um CEO homem e branco”, mas conta que a decisão foi tomada em trabalho com o grupo de afinidade da empresa, chamado de “Além da Pele”, e com apoio de especialistas.
Grynbaum lembra que o movimento de inclusão e respeito à diversidade começou ainda em 2013 na companhia, com o surgimento de grupos internos que trabalharam pela equidade de pessoas LGBTQIA+, pessoas com deficiência, pessoas de diferentes gerações e equidade racial.
“Em 2019, criamos uma área de Diversidade, Inclusão e Equidade, com uma equipe multidisciplinar responsável por implementar projetos e trabalhar para ser uma referência no país, contribuindo de modo significativo para o avanço da pauta.
A empresa criou programas de desenvolvimento e mentoria para jovens negros e diz ter eliminado barreiras para tornar seus programas de estágio e trainee mais inclusivos. “Temos um Workshop de Equidade Racial para os colaboradores estudarem sobre como combater o racismo e o preconceito em todas as suas formas, além de muitas outras iniciativas”, complementa Grynbaum.
No texto, Grynbaum ainda convida lideranças empresariais a se juntarem ao grupo e repensarem suas “Black Fridays”, batizando-as com outros nomes, que façam sentido para cada empresa e setor. “Afinal, não estamos falando ‘só’ de uma mudança no termo: está em pauta aqui o caminho para alcançarmos o sucesso responsável e dar mais uma contribuição para ma nova perspectiva de raça na sociedade, com senso de urgência e coragem.”
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