A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recebeu nesta 6ª feira (26) um novo pedido de uso emergencial para a vacina Sputnik V. O laboratório União Química, que tem um acordo com o RDIF (Fundo Russo de Investimento Direto) para produzir e comercializar o imunizante no Brasil, fez a nova solicitação e pediu que a anterior seja cancelada.
O prazo para a análise é de 7 dias. Mas se a agência precisar pedir mais documentos sobre a vacina, o prazo pode ser prorrogado. A triagem dos dados já foi iniciada. Segundo a Anvisa, o pedido foi protocolado à 1h50 da manhã desta 6ª feira (26).
“A solicitação de análise do uso emergencial, protocolada na madrugada de sexta-feira, é um novo pedido. O anterior, protocolado pelo laboratório União Química no dia 15 de janeiro, será cancelado a pedido da empresa“, disse em nota a agência.
O 1º pedido para uso emergencial protocolado para a vacina Sputnik V ainda estava emperrado na Anvisa porque a União Química não entregou informações técnicas pedidas pela agência. Na 6ª feira da semana passada (19) , a agência cobrou novamente o laboratório e lembrou que o prazo legal para a entrega terminava em 16 de maio.
Na mesma semana, o dono da União Química tinha reclamado de um suposto complô contra a Sputnik V. “Parece que é um criminoso alguém que quer trazer a vacina ao Brasil“, disse ele. Depois, o laboratório afirmou que era apenas um “desabafo emocionado“.
Com o novo pedido, o processo recomeça do zero. Se novos documentos forem solicitados, o registro para a vacina pode demorar ainda mais. A agência brasileira já afirmou que precisa de todos os dados referentes ao imunizante para atestar sua segurança e eficácia. Voltou a afirmar nesta 6ª feira (26.mar) que os procedimentos científicos serão seguidos e precisam ser respeitados.
“A Anvisa atua conforme os procedimentos científicos e regulatórios, os quais devem ser seguidos por aqueles que buscam a autorização de vacinas para serem utilizadas pela população brasileira“, diz a agência.
A Anvisa já autorizou o uso emergencial da CoronaVac em todo o Brasil. Além disso, concedeu o registro oficial para as vacinas da Pfizer e da AstraZeneca. Também aprovou o uso do remdesivir para o tratamento hospitalar de pessoas infectadas pelo coronavírus em todo o Brasil.
O Ministério da Saúde tem um contrato para a compra de 10 milhões de doses do imunizante russo. A 1ª remessa, de 400 mil doses, é esperada até o final de abril. Mas o pagamento, segundo o governo, só será efetuado depois da União Química conseguir o aval da Anvisa.
O consórcio de governadores do Nordeste também tem um acordo para adquirir mais 37 milhões de doses da vacina Sputnik V. As doses serão entregues ao PNI (Plano Nacional de Imunização) para que possam ser aplicadas em todo o país.
Segundo a revista médica The Lancet, a Sputnik V tem eficácia de 91,6% contra a covid-19.
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