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Câncer de Bruno Covas atinge fígado e ossos, mostram exames

Covas se pronunciou em sua rede social dizendo que não abaixará a cabeça. "Abaixar a cabeça!? De jeito nenhum. Vou seguir lutando. Ainda tenho muito trabalho a fazer.

17/04/2021 09h56
Por: Keila Abreu Fonte: Bahia Notícias
Reprodução/ Desconhecida
Reprodução/ Desconhecida

Exames mostraram o surgimento de novos focos de câncer no fígado e ossos do prefeito Bruno Covas (PSDB), segundo boletim médico divulgado nesta sexta-feira (16).

De acordo com o comunicado, o prefeito foi internado na quinta (15) no Hospital Sírio-Libanês para a realização de exames de controle, onde foram encontrados novos pontos da doença. "Portanto, foram necessários ajustes no tratamento. Amanhã, está prevista a continuidade da quimioterapia, adicionando imunoterapia", diz o boletim.

Segundo o comunicado, Covas está clinicamente bem, sem sintomas e apto a seguir com atividades pessoais e profissionais. Ele está sendo acompanhado por equipes coordenadas pelos médicos David Uip, Artur Katz, Tulio Eduardo Flesch Pfiffer e Roberto Kalil Filho.

Covas se pronunciou em sua rede social dizendo que não abaixará a cabeça. "Abaixar a cabeça!? De jeito nenhum. Vou seguir lutando. Ainda tenho muito trabalho a fazer. Obrigado a todos pelo carinho de sempre. Rezas, orações, pensamentos positivos que recebo de todos os cantos me fazem mais forte nessa batalha", escreveu.

O câncer do prefeito originou-se na cárdia, uma válvula no trato digestivo, e depois afetou também o fígado. Ele iniciou tratamento ainda em 2019 e evita, desde então, afastar-se de suas funções na prefeitura, limitando suas licenças médicas. No ano passado, ele foi reeleito para mais quatro anos de mandato.

Entre outubro de 2019 e fevereiro último, o prefeito fez oito sessões de quimioterapia. As lesões cancerígenas regrediram, mas não desapareceram por completo.

Em fevereiro, um novo nódulo no fígado foi descoberto. Na ocasião, a equipe médica do prefeito disse que o câncer no sistema digestivo que ele trata desde 2019 conseguiu "ganhar terreno", mas que o novo nódulo era menor do que o encontrado há quase dois anos.

Nessa nova fase do tratamento serão usados dois tipos de quimioterapia e dois de imunoterapia, segundo o oncologista Tulio Pfiffer.

“São pelo menos 48 horas [de aplicação], por isso, ele ficará internado no fim de semana. O intervalo continuará sendo a cada duas semanas. E a cada oito semanas a gente repete os exames de imagem e de controle, da mesma forma como ele vem fazendo ao longo desse um ano e meio.”

Pfiffer diz que não dá para avaliar o que virá pela frente. “As principais perguntas só o tempo vai responder. Ele é jovem, forte e motivado. Tem uma cabeça muito boa e tem sido muito sincero e transparente. Ele não esconde nada. Ele mesmo ajuda a redigir o boletim.”

Segundo o médico, o prefeito se abalou um pouco com a notícia do avanço da doença, mas já está “mais animado de novo”.

“Todo paciente oncológico vai fazer um exame de imagem, de controle da doença, com um frio na barriga. A torcida de todo mundo é abrir o envelope e ver que a doença diminuiu de tamanho. Quando a doença eventualmente volta a crescer ou surge algo novo, dá um baque inicial. Mas ele já está reagindo de novo.”

Como Bruno Covas perdeu peso recentemente, o suporte nutricional também será otimizado, com adição de alguns suplementos, segundo o médico.

Além de prevenir a desnutrição, muito comum no paciente oncológico devido a alterações metabólicas da doença ou dos efeitos colaterais do tratamento, a terapia nutricional ajuda na resposta e no controle dos efeitos adversos da químio e imunoterapia.

A reportagem consultou três oncologistas que não fazem parte da equipe médica que cuida de Covas sobre as perspectivas da nova etapa de tratamento do prefeito.

Apesar de não conhecerem detalhes do caso, os três dizem que claramente o quadro se agravou e é muito preocupante, mas que tudo vai depender da forma como Covas reagirá ao novo esquema terapêutico.

Segundo eles, a imunoterapia tem trazido resultados surpreendentes até para casos que traziam pouca esperança de controle.

“O tratamento inicial foi muito animador e de certa forma deu a condição de ele estar até hoje com uma doença que já era avançada”, afirma Felipe Coimbra, médico da área de tumores gastrointestinais do A.C.Camargo Cancer Center.

De acordo com o médico, hoje há muitas novas opções de quimioterapia e imunoterapia, o que permite fazer ajustes no tratamento de acordo com a resposta do paciente. É possível, por exemplo, fazer análises moleculares do tumor e, a partir dos resultados, buscar possíveis novas drogas que ainda não foram utilizadas ou até detectar alguma resistência a determinados medicamentos e já descartar a possibilidade de seu uso.

Outra possibilidade aventada pelos especialistas é a inclusão de Bruno Covas em eventuais protocolos de estudos clínicos no exterior que estejam investigando novas drogas que poderiam ser promissoras para o caso dele.

No entanto, segundo Tulio Pfiffer, essa hipótese não foi discutida porque o esquema de tratamento que o prefeito está recebendo é o mais moderno que existe.

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