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Média móvel de mortes pode quadruplicar em Salvador após São João

Após um mês, ocupação em UTIs de Salvador volta a passar de 80%

19/05/2021 09h58
Por: Fonte: Correio 24h
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Após um mês de “calmaria” em abril, as autoridades de saúde e especialistas ligam novamente o alerta em Salvador para a covid-19. As taxas voltaram a subir e maio e as previsões para junho e julho não são das melhores. Se houver aglomeração no São João, a média móvel de óbitos na capital baiana poderá ser de quatro vezes maior. Ela passou de 16, no dia 9 de maio, para 29, no dia 17. Ou seja, quase dobrou em apenas seis dias, e pode chegar a 80 no início de julho. A projeção é do professor Washignton Rocha, coordenador do portal Geocovid. 

Outros números também preocupam: a taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na capital voltou a passar dos 80%, o que não acontecia desde 12 de abril. Ontem (18), esse índice variou de 81% para 83%. Esse ano, já foram 45 dias acima dessa taxa, contra 43 dias do ano passado – quando a quantidade de leitos disponibilizados pela prefeitura era menor.  

Alguns hospitais públicos municipais, como o Hospital Municipal de Salvador (HMS), o Hospital do Subúrbio e o Hospital de Referência do Itaigara já registram ocupações de 100% das UTIs. O Hospital de campanha de Itapuã, inaugurado em março, só tem mais dois leitos disponíveis. O da Fonte Nova está com taxa de ocupação de 88%. Os dados são do painel epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), atualizados às 16h da tarde de ontem.  

A fila para os gripários aumentou 87% em maio, como divulgado pelo CORREIO. A média de atendimento diário nessas seis unidades de Salvador está próxima do pico que ocorreu em dezembro e janeiro, quando 700 pessoas eram acolhidas. Ontem (18), esse número atingiu 672. No mês passado, a média era em torno de 200 a 300 por dia.  

O médico Ivan Paiva, coordenador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), alerta para um aumento de testes positivos feitos nas unidades de saúde - cerca de 40 têm dado positivo diariamente. O dia de mais procura é a segunda-feira. “A maior parte dos pacientes vai para testar ou está com sintomas bem leves, o que termina retardando o atendimento daqueles que precisam. Eles estão ali porque tiveram contato, fizeram festa, aglomeraram, fizeram paredão no final de semana", pontua.  

Com essa alta na procura, as transferências do Samu também cresceram. “No pico da segunda onda, a gente chegava a fazer 100 transferências por dia, conseguimos baixar para 50, e agora está aumentando de novo. Ontem, foram 83 transportados. No mês passado, lá para o dia 12, foram 49, no dia 11, 37. Essa rotatividade aumentou e isso se reverte na taxa de ocupação de leitos, porque cada vez que pego mais pacientes dos gripários para colocar em leitos de hospitais, esse número aumenta”, explica Paiva.  

A quantidade de pessoas na fila da regulação, que teve mais de 100 pessoas, voltou a ter fila de espera. “Tinha dias de não ter ninguém aguardando ou pouquíssimas pessoas. Agora, em determinado horário, passei a ter 17, 31 pacientes, no dia 16 de maio, por exemplo”, afirma o coordenador do Samu. No início do dia de ontem, eram 21 no aguardo.  

Os bairros da capital baiana que mais preocupam por hora, segundo Paiva, são Boca do Rio e São Marcos, que estão com medidas restritivas e de proteção à vida em vigor, além de Fazenda Grande do Retiro, São Caetano, Brotas e Lobato. Os bairros com mais casos em toda a pandemia são Pituba (6.369) e Pernambués (5.830) - veja lista completa no final da matéria.  

Apesar de os números voltarem a se elevar, Ivan Paiva, também especialista em cirurgia geral pelas Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), não acredita que seja o início da terceira onda. “Temos acompanhado esses dados para nortear nossas ações, mas ainda não estamos na terceira onda, porque não acabou a segunda. Porém, esses números tem nos preocupado”, alerta.  

Ele supõe que possa haver uma contaminação por outros tipos de síndrome gripais, como H1N1 e Influenza, devido à época do ano, o que pode ter feito aumentar a procura dos gripários ou até um efeito do dia das mães.  

“Podem existir pacientes com gripe e influenza, já que os sintomas são similares. Não é porque aumentou o número de atendimento que já é diagnóstico para outra onda, porque pode ser também um reflexo do dia das mães, quando as pessoas resolveram fazer confraternizações. Estamos avançando na vacinação, então só daqui a umas duas semanas para fazermos se haverá uma redução ou aumento do número de casos”, detalha Paiva.  

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), disse que, se os números voltassem a aumentar, novas medidas poderiam ser adotadas. Não há um percentual de referência para determinar o fechamento das atividades. A fase Amarela, iniciada na última quinta-feira (13), autorizou a reabertura de algumas atividades.  

Coordenador do Geocovid prevê aumento de mortes em julho 
O professor Washington Rocha, da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e coordenador do portal Geocovid-19, plataforma que monitora e faz projeções das taxas da pandemia do novo coronavírus, aponta que o principal item para determinar o início de outra onda é a média móvel de óbitos. 

“É uma confluência de fatores, e utilizamos o conceito de média móvel para enxergar o comportamento das curvas sem essas flutuações dos finais de semana. A média móvel de sete dias de óbitos tem sido utilizada como delineador, porque os dados do número de casos podem ter uma subnotificação, já os óbitos, podem demorar para chegar, mas são registrados”, esclarece o professor.  

Segundo ele, há sim indícios de terceira onda, mas ainda precisa ser observado se a curva será mantida. “Em abril, a gente teve uma tendência de queda nas estatísticas tanto para casos diários de óbitos quanto para novos casos. Essa semana, começamos a evidenciar uma inversão nessa tendência. A gente já tem indício de terceira onda, mas o comportamento da curva ainda está indefinido. Pode ser uma flutuação que pode voltar a cair”, adverte Rocha.  

 O que ele assegura é que o decréscimo dos números e taxas, que vinha sendo observado, acabou. As projeções para junho são duas: ou um aumento expressivo de casos por conta das aglomerações juninas, ou uma extensão do cenário que está presente hoje, se houver controle das autoridades. Além das festas, as causas para isso seriam o avanço da presença das variantes da Sars-Cov-2 e a baixa taxa de vacinação - 18,5% da população de Salvador foi vacinada com a primeira dose e menos de 8% com a segunda).  

“Os números apontam que, se ocorrer aglomeração em junho, há uma caracterização de terceira onda em início e meados de julho. Se houver um controle, a gente permaneceria no mesmo patamar e arrastaria essa curva e permaneceria em um platô. Se a gente for fazer uma sinalização para Salvador, estaríamos com uma bandeira laranja, com uma pressão muito alta para a entrada do mês de junho”, avalia o professor da Uefs.  

A média móvel de óbitos, em um cenário de controle, ficariam em torno de 20 por dia. Já em um cenário de descontrole, seriam cerca de 80 em Salvador, em julho. O máximo que já foi atingido no município foi de 47, em março deste ano.  

Os casos de covid-19 em Salvador representam 20,89% do total de casos da Bahia, segundo a Sesab. São 2.899 casos ativos na cidade, o equivalente a 17,8% do estado, que tem 16.205. O crescimento deles nas últimas 24h foi de 0,15% e, nos últimos 5 dias, de 1,13%. Um terço das mortes da Bahia ocorreu em Salvador.  

De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), são 199.810 casos do novo coronavírus, sendo 192.813 recuperados e 6.049 óbitos. Outros 161.229 são considerados suspeitos, ou seja, que aguardam o resulto do teste. A faixa etária de maior incidência são pessoas de 30 a 39 anos (24%), seguido de 40 a 49 anos (22%). Os maiores de 60 anos representam 16% dos casos. 13% dos casos eram pessoas com comorbidades.  

Hospitais privados registram aumento da procura 


Alguns hospitais privados de Salvador começaram a registrar um aumento da procura por atendimento de covid-19. Foi o caso do Santa Izabel. “No início desta semana, a emergência do Hospital Santa Izabel registrou aumento no atendimento a pacientes com suspeita de covid. Não houve alterações na ocupação dos leitos de enfermaria e de UTI. Atualmente, o hospital tem 1/3 menos pacientes internados em tratamento da covid-19 em relação aos momentos de maior ocupação, registrados no início deste ano”, disse a instituição, por meio de nota.  

No Hospital Espanhol, a média de ocupação vem se mantendo em 78% e 80% há dois meses, tanto para UTI quanto para enfermaria de covid. No Hospital Aeroporto, a média está entre 75% e 80% e não houve alta de procura por atendimento. No Jorge Valente, a UTI covid está em 100% e a enfermaria em 87,5%.  

O Sistema Hapvida, que coordena o hospital Teresa de Lisieux, disse que “consegue prever a demanda de leitos e já conta com planos de expansão em ondas, conforme a necessidade”. Hospital da Bahia, o Hospital Cardio Pulmonar, o Aliança e o São Rafael não divulgam dados referentes a ocupação. O Hospital Português não respondeu à matéria até o fechamento do texto.  

10 bairros com mais casos de covid-19 em Salvador (fonte: SMS)
- Pituba: 6.369  
- Pernambués: 5.830 
- Brotas: 5.348 
- Itapuã: 4.510 
- Fazenda Grande do Retiro: 3.854 
- São Marcos: 3.530 
- Liberdade: 3.515 
- Santa Cruz: 3.497 
- São Cristóvão: 3.403 
- Cabula: 3.379 

Ocupação de leitos de UTI covid-19 em Salvador (fonte: Sesab) 
Hospital Universitário Professor Edgard Santos - 20% (2 de 10 leitos ocupados)  
Hospital Santa Izabel - 29% (4 de 14 leitos ocupados) 
Hospital Eladio Lassere - 90% (9 de 10 leitos ocupados) 
Hospital Geral Ernesto Simões Filho - 88% (35 de 40 leitos ocupados) 
Hospital Português - 40% (2 de 5 leitos ocupados) 
Hospital Martagão Gesteira - 90% (9 de 10 leitos ocupados) 
Instituto Couto Maia - 83% (65 de 78 leitos ocupados) 
Hospital de Campanha da Fonte Nova - 88% (88 dos 100 leitos ocupados) 
Hospital de Referência Itaigara - 100% (40 leitos ocupados) 
Hospital Espanhol - 76% (121 dos 159 leitos ocupados) 
Hospital Sagrada Família - 83% (53 dos 60 leitos ocupados) 
Santa Clara Salvador - 27% (8 de 30 leitos ocupados) 
Hospital de Campanha Centro de Iniciação Esportiva - 98% (28 de 30 leitos ocupados) 
Maternidade Professor José Maria de Magalhães Neto - 100% (5 leitos ocupados) 
Hospital do Subúrbio - 100% (118 leitos ocupados) 
Hospital Alaida Costa - 85% (17 dos 20 leitos ocupados) 
Hospital Municipal de Salvador - 100% leitos ocupados (20 leitos ocupados) 

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