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Entretenimento Luto no Samba

Amigos e famosos lamentam perda do baluarte do samba

Vítima da covid, Nelson Sargento era um dos bambas ao lado de Cartola, Clementina, Ivone Lara e Nelson Cavaquinho

27/05/2021 15h33
Por: Maryane Meira
Reprodução
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Companheiros de vida, de samba e de Avenida lamentaram a morte de Nelson Sargento, nesta quinta-feira (27).O baluarte de 96 anos morreu às 10h45, seis dias após ser internado no Instituto Nacional do Câncer, diagnosticado com covid. Por causa da pandemia, a família do sambista informou que não haverá velório e o corpo será cremado em cerimônia restrita.

Amigos e artistas lamentaram a partida deste ícone do samba brasileiro. Veja o que foi dito da perda:

Cláudio Castro, governador do RJ
“Perdemos hoje um dos maiores representantes do samba, presidente de honra da Estação Primeira de Mangueira e ícone da nossa cultura popular. Desejo que Deus o receba com todo seu amor. À família, amigos e fãs, compartilho meu pesar.”

Eduardo Paes, prefeito do Rio
“O samba, o Rio e o Brasil perdem seu Nelson Sargento. Ele nos ensinou que o samba agonizava mas não morria. Queríamos nós que Seu Nelson fosse imortal como o samba que ele tanto amava. Mas ninguém é. Por ironia do destino, ele nos deixa no ano em que não teve carnaval. Seu Nelson é mais um que se vai por conta da doença que estamos lutando para vencer. Seu Nelson amava a vida, o samba, a Mangueira, a nossa cidade. O meu abraço aos familiares e à Mangueira! Viva Nelson Sargento, eterno!”


Lula, ex-presidente
“Fiquei triste com a morte do grande Nelson Sargento, símbolo da Mangueira. Mais uma vítima dessa tragédia que poderia ter sido evitada. Foi um prazer conviver com ele. Envio meus sentimentos aos familiares e aos sambistas de todo o Brasil. Que nasçam novos Nelson Sargento.”

Vasco da Gama, time de Nelson
“É com profunda tristeza que recebemos a notícia do falecimento de um dos grandes nomes da história do samba e um grande amigo do Vasco, Nelson Sargento. Desejamos muita força aos amigos, familiares e fãs neste momento de profunda dor.”

Leandro Vieira, carnavalesco da Mangueira
“O Nelson guardava no corpo e no gesto toda a tradição de uma linhagem de sambistas que podemos traduzir como o tal 'do samba em pessoa'. Ele trazia pra gente de modo vivo a presença do Cartola, do Nelson Cavaquinho, da Clementina e de tantos outros bambas imortais. O Nelson era aquele coroa boa-praça. Personificava a presença fraterna de um avô com a energia de uma entidade ancestral que baixava em nosso terreiro. Sua partida é motivo de lamento não só para os mangueirenses, mas para todos os sambistas. Com ele, foram também 96 anos de histórias do samba brasileiro. Sua morte é tal qual um museu centenário cujo o acervo se incendiou. Perdemos todos.

Zeca Pagodinho, cantor e compositor
“Hoje perdemos Nelson Sargento, nosso amigo. Grande sambista. Vá com Deus. Nelson Sargento contribuiu muito para a nosso música. Vá com Deus.”

Alcione
"O senhor Nelson Sargento pertenceu a uma linhagem de homens... Pra mim ele sempre pareceu um lorde na maneira de se comportar, de se vestir e de falar. Senhor Nelson Sargento era um desses galhos fortes do nosso jequitibá do samba, que é a Mangueira. Eu tenho o maior orgulho de pertencer a essa escola também pelo Nelson Sargento. Orgulho do samba. Descanse em paz, senhor Nelson".

Tia Surica, da Velha Guarda da Portela
“Tinha um carinho muito grande por ele. Era um grande compositor. É mais uma grande perda para o mundo do samba, levado por essa doença tão perigosa. Agora, só nos resta rezar para que a alma dele encontre o Reino da Glória. Essa doença é muito cruel. Por isso, mesmo depois de já ter tomado a segunda dose, continuo em casa, me cuidando.”

Neguinho da Beija-Flor
“A gente sabe que ele já estava com uma idade avançada, mas a covid não perdoa. Hoje está indo embora uma parte importante da história do samba, um dos últimos baluartes, que deixa um legado de beleza no samba e nas artes para os novos sambistas que estão chegando. Era um extraordinário compositor. Daqui a 200 anos vão ouvir as obras de Nelson Sargento. Hoje tenho só muita tristeza no coração.”

Monarco, baluarte da Portela
“Descanse em paz, meu grande amigo!”

Elias Riche, presidente da Mangueira
“Com grande pesar, informamos que nosso presidente de honra, Nelson Sargento, nos deixou essa manhã. Sua partida deixará saudades em todos os amantes do samba e da cultura brasileira. A semente plantada por ele rendeu frutos que estarão eternizados junto à certeza de que 'O samba agoniza, mas não morre' jamais. Vai, amigo Nelson, com seu jeito fino e elegante, se juntar a Cartola, Nelson, Jamelão e outros bambas fazer uma roda de samba e olhar por nós.  A Estação Primeira de Mangueira agradece por tudo. Nossos sentimentos a todos os amigos e familiares.”

Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira
“Recebo essa notícia com muita tristeza, que não consigo nem mensurar. É uma personificação da história da Mangueira partindo.Ele carrega o significado muito grandioso para mim, que sou de uma nova geração, e respeito absolutamente a riqueza da história da Mangueira. Ele sempre me recebia com um beijo na testa e isso, para mim, é sinal de muito respeito. E eu o reverenciava sempre que o via. Era uma troca de muito carinho. Então, fica aqui o meu respeito, todo meu carinho, meu amor e o meu agradecimento por tanto que ele ofertou à Estação Primeira de Mangueira.”

Acadêmicos do Salgueiro
“Sabiá, receba o querido Nelson Sargento e diga a ele que tudo ficará bem... Cuidem de nós, da nossa gente que daqui, seguiremos lutando para que o samba não morra jamais. Aos familiares, amigos e à nossa madrinha, Mangueira, nosso carinho.”

Diogo Nogueira, cantor
“Nelson Sargento, mestre! Você é daqueles que não podiam morrer nunca. Você me quebrou indo embora. Mas está tudo guardado aqui dentro, cada momento, cada minuto e cada aprendizado. Prometo continuar lutando pelo nosso samba, obrigado por tudo que fez por ele!”

Dudu Nobre, cantor e compositor
“A essência do que é ser sambista, a resistência do que é ser sambista, a referência para todo sambista. Muito obrigado por tudo, Grande Mestre. Descanse em paz!"

Marcelo D2, cantor e compositor
“Arquiteto da música brasileira. A gente só morre quando nosso samba morrer"

Ivo Meirelles
"Em novembro de 2012, ocasião em que eu presidia o GRES Estação primeira de Mangueira, fui surpreendido com o falecimento do mestre Delegado. Delegado era o meu presidente de honra! Eu o tinha nomeado em 2010. Passei o mês seguinte (dezembro) costurando com os baluartes da escola um novo nome. Não houve um consenso entre eles, então usei da prerrogativa do cargo de presidente, e obedecendo o estatuto, nomeei Nelson Sargento como o sucessor. O empossei na nossa feijoada, em janeiro de 2013. Hoje recebo a notícia do seu falecimento. Rogo ao grande arquiteto do universo que o receba em paz e com sua misericórdia. Amém!".

Daniela Mercury
"Adeus, Nelson Sargento! O samba do mundo, ancestral, avô de todos nós. Que foi embora e deixou história. Que foi embora pedindo para a gente olhar para o menino do morro que quer mais que jogar bola. Nelson e seu sorriso doce. Ele o mestre, o bamba, o meu parente mais velho, a minha família da música. Sinto muito sua partida ter sido por covid. Um grande beijo para os familiares de Nelson"
 

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