Ele foi exonerado na última quarta-feira (30) após suspeitas de pedido de propina na contratação de compra de doses da vacina da AstraZeneca pelo governo federal. Roberto Dias nega as acusações feitas pelo vendedor e policial militar Luiz Paulo Dominghetti.
Ao jornal Folha de S.Paulo, Dominghetti afirmou que Dias pediu US$ 1 de propina por dose da vacina. Em seu depoimento à CPI, o vendedor reafirmou o que revelou ao jornal. Durante sua oitiva, realizada na última quinta-feira (1º), Dominghetti -- que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply -- disse ter recebido um pedido de propina para a compra de 400 milhões de doses do imunizante.
A analista política da CNN Renata Agostini apurou que Dias procurou de forma insistente o representante oficial da Davati no Brasil para tratar do negócio ao menos três semanas antes de a empresa fazer oficialmente uma oferta para a venda de vacinas ao governo brasileiro.
Mensagens obtidas pela CNN mostram que Dias começou a tentar contato com o representante oficial da Davati no Brasil, Cristiano Alberto Carvalho, no dia 3 de fevereiro. O movimento do então diretor de logística ocorreu, portanto, muito antes de a empresa enviar à pasta a proposta para a venda de 400 milhões de doses da vacina de Oxford.
Durante sua fala inicial, Roberto Dias afirmou nunca pediu nenhuma vantagem ao revendedor de vacinas da Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominghetti.
"Nunca pedi nenhum tipo de vantagem a Dominguetti e nem a ninguém. Em 25 de junho fui injustamente acusando nessa CPi de pressionar um funcionário e como prova foi mostrada uma mensagem onde eu perguntava: Como está a LI da vacina?", disse.
Dias afirmou que é servidor de carreira há mais de 20 anos e que vem sendo "massacrado" pela imprensa "sem que haja uma única prova ou indício que sustente tais alegações". "Acerca da denuncia de Luis Miranda da Covaxin não tive participação nenhuma, me cabendo atos ordinários para a concepção do processo administrativo e questões logísticas. Friso: nunca houve pressão minha sobre o funcionário muito menos aquela mensagem retrata tal fato."
Ainda em sua fala inicial, o ex-diretor deu detalhes sobre o jantar com Dominghetti no restaurante Vasto, em Brasília. "Em 25 de fevereiro fui com um amigo no restaurante Vasto para tomar um chopp e, em dado momento, se dirigiu à mesa o coronel Blanco acompanhado de uma pessoa que se apresentou como Dominguetti", disse.
Segundo ele, Dominghetti disse representar uma empresa que possuía 400 milhões de doses de vacina da AstraZeneca. Dias afirmou que a informação "circulava" no Ministério da Saúde e pediu que o revendedor solicitasse "agenda formal" na pasta.
"Chegando ao Ministério, ele [Dominguetti] foi recebido por mim, os documentos se mostraram mais do mesmo, e não havia a carta de representação do fabricante. Ele disse que receberia em instantes. Eu disse que teria outra agenda, mas que se ele quisesse aguardar que ficasse à vontade na sala ao lado. Tempos depois ele se despediu, disse que tinha que ir embora e nunca mais tive noticias assim como muitos outros ofertantes de vacinas. Acerca da alegação de Dominguetti: nunca houve nenhum pedido meu a este senhor", disse.
Na sessão desta quarta-feira (7) aprovou três requerimentos, de autoria do vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). São eles: a convocação do reverendo Amilton Gomes de Paula, apontado pelo diretor do departamento de Imunização do Ministério da Saúde, Lauricio Monteiro Cruz, como quem abriu as portas da pasta para a empresa Davati Medical Supply e Dominghetti.
O segundo requerimento é pela convocação de Andreia Lima, CEO da VTC Operadora Logística, para prestar depoimento à comissão. O terceiro e último requerimento aprovado convoca William Amorim Santana, servidor da divisão de importação do Ministério da Saúde.
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