Familiares do soldado da Polícia Militar, Ítalo de Andrade Pessoa, de 27 anos, e do ex-fuzileiro naval Cléverson Santos Ribeiro, mortos em 11 de setembro de 2020, em Camaçari, pediram justiça pelo crime.
"A morte de Ítalo foi algo muito trágico. Tem um ano que estamos nesse sofrimento, nessa angústia, e nada aconteceu", disse Sônia Pessoa, tia do soldado.
"Queríamos que a Corregedoria de Polícia Militar fizesse algo e que o comandante geral da PM também tomasse esse caso e punisse, com rigor, todos os culpados", complementou.
Segundo a família do soldado, ele foi morto por colegas da PM que fazem parte de um esquema de grilagem de terras no município.
Simone Pessoa, que também é tia de Ítalo, disse que quando a guarnição chegou no local do crime, ele ainda estava vivo. Segundo ela, o calibre do tiro disparado contra o sobrinho não daria para ele ser morto.
"Na hora que viu a guarnição ele deve ter pensado: 'meus irmãos chegaram'. Ele não foi morto na mão de bicho, mas foi morto na mão dos colegas de farda", disse.
Já uma tia do ex-fuzileiro naval, que não quis se identificar, falou sobre a dor da perda do sobrinho. "Ninguém faz justiça, ninguém sabe quem fez, ninguém sabe o motivo. Ele era uma ótima pessoa", comentou.
Na sexta-feira (10), os familiares de Ítalo e Cléverson fizeram um protesto na Avenida Paralela, transitando pelo Centro Administrativo da Bahia (CAB) e o Ministério Público da Bahia (MP-BA).
A Polícia Civil relatou que o caso é investigado pela Corregedoria da Polícia Militar, que não se manifestou a respeito.
O MP-BA informou que o procedimento sobre o caso não foi localizado nos sistemas internos do órgão e disse que apura se o inquérito policial foi remetido.
Relembre o caso
O crime ocorreu na Estrada Velha, que liga Monte Gordo a Barra de Jacuípe.
De acordo com os familiares de Ítalo Pessoa, tudo ocorreu depois que o soldado foi chamado por Cléverson para ir até o Condomínio Morada de Jacuípe, onde o ex-fuzileiro tinha comprado um terreno, com o dinheiro da venda de um carro. Uma terceira pessoa também foi ao local com os dois homens e presenciou o crime. A testemunha não ficou ferida e já foi ouvida pela Polícia Civil.
Ainda segundo os parentes de Cléverson, ao chegarem ao condomínio, os três foram recepcionados pelo antigo proprietário do terreno que teria alegado, que o local estava sendo habitado por um outro homem, após ser invadido por milicianos.
Já no terreno, então, eles foram recebidos pelo invasor, que comunicou que estava pagando aluguel da residência. Em seguida, ainda com os três no terreno, o suposto invasor fez uma ligação. Pouco tempo depois, seis homens chegaram ao local, entre eles, segundo os familiares de Ítalo, um soldado reformado e um sargento da PM.
De acordo com a família do soldado morto, os suspeitos do crime comandam grilagens de terra em Arembepe, Barra de Jacuípe, Vila de Abrantes, todas essas localidades em Camaçari, e Simões Filho, cidade também da região metropolitana.
Em outubro de 2020, uma Força-Tarefa da Secretaria da Segurança Pública de Combate a Grupos de Extermínio e Extorsões desarticulou um grupo criminoso formado por PMs da ativa e da reserva. Na época, o órgão disse que o grupo era suspeito de participar das mortes do soldado e do ex-fuzileiro.
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