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Público abaixo da expectativa na inauguração da Policlínica Regional gera desconforto nos bastidores do governo Jerônimo

Segundo apuração do Mais Região, governador esperava maior mobilização para a entrega do equipamento em Camaçari, considerado estratégico para o fortalecimento político do grupo governista na cidade

01/07/2026 07h55 Atualizada há 54 minutos atrás
Por: Anderson Almeida Fonte: Mais Região
Divulgação / GOVBA
Divulgação / GOVBA

Apesar das imagens divulgadas nas redes sociais do governador Jerônimo Rodrigues e do Governo da Bahia destacarem o público concentrado na área coberta da cerimônia, a participação popular na inauguração da Policlínica Regional de Saúde de Camaçari ficou abaixo da expectativa, segundo apuração do Mais Região. O evento, realizado na tarde desta terça-feira (30), reuniu o governador, o prefeito Luiz Caetano, o senador Jaques Wagner, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, além de prefeitos, vereadores, lideranças políticas, representantes de sindicatos e movimentos ligados ao PT de diversas cidades da Região Metropolitana e do Litoral Norte.

De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, o comparecimento do público não agradou ao governador. Um interlocutor relatou que Jerônimo comentou com o prefeito Luiz Caetano que esperava uma mobilização maior para a entrega de uma obra aguardada há anos pela população de Camaçari e dos municípios que serão atendidos pela policlínica. Durante a cerimônia, o público permaneceu praticamente concentrado na estrutura montada pelo cerimonial do Governo do Estado, enquanto grande parte do espaço permaneceu com baixa ocupação. A estimativa é de que menos de 500 pessoas tenham acompanhado a inauguração.

Nos bastidores, aliados também atribuíram o público abaixo do esperado ao horário escolhido para a solenidade. Como Jerônimo Rodrigues tinha compromisso no início da noite em Salvador, dentro da programação das comemorações da Independência da Bahia, não havia possibilidade de transferir a agenda para um horário mais tarde. Com isso, servidores municipais e ocupantes de cargos comissionados da Prefeitura de Camaçari, que tradicionalmente reforçam o público em eventos oficiais, permaneceram em expediente e não participaram da cerimônia.

Mesmo com caravanas e lideranças políticas vindas de municípios como Dias d’Ávila, Mata de São João, Pojuca, Catu, Simões Filho, Entre Rios, Araçás, Cardeal da Silva e São Sebastião do Passé, além da presença de representantes sindicais e movimentos sociais ligados ao PT, interlocutores do governo avaliam que Jerônimo tem encontrado dificuldades para transformar agendas administrativas em grandes atos de mobilização popular na Região Metropolitana.

Segundo apurou o Mais Região, essa não teria sido a primeira demonstração de insatisfação do governador com o público em agendas na região. Em abril deste ano, durante a assinatura da ordem de serviço da estrada que ligará a sede de Mata de São João ao litoral do município, Jerônimo também teria percebido uma participação abaixo do esperado. Na ocasião, aliados avaliam que a mobilização promovida pelo prefeito Bira contribuiu para ampliar a presença de pessoas no evento, evitando um público ainda menor.

A inauguração da Policlínica Regional acontece em um momento estratégico para o governo estadual. Com a proximidade das restrições impostas pelo calendário eleitoral para inaugurações de obras públicas, Jerônimo intensifica a agenda de entregas ao lado de aliados. Em Camaçari, o desafio possui peso ainda maior. Na eleição para o Governo da Bahia, em 2022, ACM Neto venceu Jerônimo Rodrigues no município. Agora, ao lado do prefeito Luiz Caetano, o governador tenta fortalecer politicamente o grupo governista e reverter o cenário em uma das cidades mais importantes do estado. Apesar de contar com um prefeito aliado, o grupo enfrenta uma oposição fortalecida, liderada pelo ex-prefeito Elinaldo Araújo, pelo ex-presidente da Câmara Flávio Matos e pela ex-vereadora Angélica.

Divulgação / GOVBA
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Outro fato que chamou atenção durante a solenidade foi a ausência do senador Jaques Wagner na entrevista coletiva concedida após a inauguração. Em meio à investigação que envolve o parlamentar, o clima nos bastidores foi descrito por interlocutores como mais reservado. Embora tenha participado do ato oficial, Wagner deixou o local sem conversar com a imprensa, enquanto o assunto dominava parte das conversas entre lideranças presentes.

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