A praticamente um mês da votação das prévias presidenciais do PSDB e na véspera do primeiro debate entre tucanos, aliados de João Doria questionam regras do partido e buscam brechas para reverter o cenário desfavorável ao governador paulista, que vê seu rival Eduardo Leite ganhar corpo na disputa.
Na última semana, cresceu a pressão do governador gaúcho sobre Doria, que reagiu questionando o aplicativo de votação, o debate e voltando a listar apoios de filiados que não poderão participar das prévias.
Para aliados de Leite, os movimentos do paulista demonstram insegurança na corrida, enquanto o time de Doria afirma ser favorito.
Há também uma brecha aberta a partir da definição de voto dos suplentes. O temor é o de que essa série de arestas dê margem para a judicialização das prévias por parte de aliados de Doria, que vêm sofrendo derrotas a respeito da votação desde a definição de que a eleição seria indireta.
A eleição interna esquentou a partir da fala de Leite que comparou Doria ao presidente Jair Bolsonaro, no domingo (17). A disputa, neste momento, segue aberta e acirrada.
O ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio também concorre. A votação está marcada para 21 de novembro, quando filiados e vereadores tucanos votarão por meio de aplicativo, e demais mandatários por meio de urna eletrônica em Brasília.
Doria deve vencer em São Paulo, estado que concentra tucanos no país. Já Leite coleciona apoios em estados importantes para o PSDB, como Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Bahia, além de conquistar parte do eleitorado tucano paulista.
Nesta terça-feira (19), em debate promovido pelos jornais O Globo e Valor Econômico, a expectativa entre as equipes de Leite e de Doria é a de um debate educado e propositivo –os paulistas esperam que o gaúcho não volte a evocar o "BolsoDoria". O time de Leite, porém, afirma que pode haver embate sim, mas não no campo pessoal.
Na sexta-feira (15), Doria chegou a anunciar que não mais participaria do debate. Em reunião para tratar de regras, sua equipe demonstrou preocupação com perguntas duras de jornalistas, possibilidade de ataques entre os candidatos e quis diminuir o tempo do debate.
Tudo isso foi lido por aliados de Leite como receio do enfrentamento diante do crescimento da campanha do gaúcho. Nos bastidores, auxiliares de Doria afirmam que ele quis evitar o embate por ser favorito e, ao final, ter que contar com Leite e Arthur em sua eventual campanha ao Planalto.
De modo geral, o questionamento ao partido a respeito de regras comuns de debate e a recusa em participar de um instrumento de democracia interna foram um tiro no pé para Doria, que voltou atrás no fim de semana, alegando ter recebido mensagens de apoiadores pedindo sua participação.
A avaliação entre tucanos é a de que o partido e o processo de prévias como um todo perderia credibilidade sem a participação de Doria, mas, com sua volta atrás, o desgaste ficou apenas na conta do governador paulista. Entre dirigentes do partido, as regras dos debates –haverá mais dois– estão fora de discussão.
Em outra frente, entre os pontos levantados por aliados de Doria nos últimos dias, o do aplicativo é o que tem maior margem para questionamento. Isso porque, embora dirigentes do partido estejam seguros da confiabilidade da ferramenta, admitem que a tecnologia não é perfeita e necessita de reparos.
A expectativa é fazer todas as correções a tempo –o prazo para inscrição de tucanos no aplicativo é 14 de novembro. Só então o colégio eleitoral da disputa estará definido e será possível estabelecer estimativas de votos para cada lado com maior precisão.
O aplicativo foi desenvolvido pela Fundação de Apoio à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com consultoria da Universidade de São Paulo e auditoria da empresa de segurança cibernética Kryptus.
Para a direção do PSDB, não há hipótese de que o aplicativo não seja usado. Já a equipe de Doria aguarda novos testes de auditoria que, na avaliação deles, podem minar a ferramenta.
A alternativa proposta pelos paulistas é distribuir urnas com cédula de papel pelo país, o que a cúpula do partido descarta por questões de logística, morosidade e possibilidade de fraudes.
"Nenhum risco é maior que o voto em cédula, é o modelo mais antiquado e inseguro. O aplicativo será doado a todos os partidos eleitorais brasileiros, para que cada um adeque para sua realidade política interna", diz o presidente do PSDB, Bruno Araújo.
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