Após boatos de que estava saindo da equipe de Bolsonaro, o principal nome econômico do governo, o ministro Paulo Guedes, deu às caras nessa sexta-feira (22). Durante uma longa coletiva à imprensa, ao lado do presidente da República, na sede do Ministério da Economia, Guedes reafirmou a polêmica que marcou a semana e que provocou um vendaval no mercado financeiro: o governo federal vai mesmo furar o teto de gastos em 2022 para garantir a implementação do Auxílio Brasil de R$ 400. Como justificativa, afirmou que “não adianta tirar 10 no fiscal e zero no social". E tentou acalmar o mercado: disse que não pediu demissão e que segue no comando da equipe econômica.
"Eu não pedi demissão, em nenhum momento eu pedi demissão. Em nenhum momento o presidente insinuou qualquer coisa semelhante. Vou ficar até o fim do governo", enfatizou. A declaração trouxe um certo alívio ao mercado: a Bolsa reduziu o ritmo de perdas - fechou o pregão dessa sexta-feira com queda de 1,34%. Na véspera, o tombo chegou a 2,75%. O dólar comercial caiu 0,71% e encerrou o dia em R$ 5,627.
Durante a coletiva, o ministro contou que a ala política do governo fez "pescaria" em busca de nomes para o seu cargo e citou o ex-secretário do Tesouro Mansueto Almeida como um dos sondados. "Sei que o presidente não pediu isso, porque acredito que ele confia em mim e eu confio nele, mas sei que muita gente da ala politica andou oferecendo nome e fazendo pescaria", disse o titular da Economia. Ele não citou nominalmente ninguém. Contudo, sabe-se que integram a ala política os ministros Ciro Nogueira (Casa Civil), Flávia Arruda (Secretaria de Governo) e João Roma (Cidadania) - todos parlamentares e defensores da solução do Auxílio Brasil de R$ 400.
A respeito do fogo amigo, das sondagens para o seu lugar, Guedes afirmou que não necessariamente são ministros. E sinalizou que seria um movimento de pessoas contrárias ao teto de gastos. "Existe uma legião de fura tetos, o teto é desconfortável", assinalou o ministro.
A declaração, dada ao lado do presidente, revela que a relação entre a ala política e a equipe econômica continuará tensa. Nas últimas semanas, diante das resistências do ministro em chegar a uma solução para o Auxílio Brasil que agradasse a ala política, auxiliares palacianos passaram a buscar um "plano B" para o ministério. Segundo relatos, a sondagem teria sido feita com o consentimento de Bolsonaro. Mansueto teria sido procurado por interlocutores, mas não aceitou a proposta.
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