O lugar de mulher é onde ele quiser, inclusive nos espaços esportivos que antes eram ‘considerados masculinos’, como o futebol. A história da técnica da Seleção Brasileira Feminina de Futebol 7 e subsecretária de Esportes de Camaçari, Dilma Mendes, 58 anos, é um exemplo de que a mulher pode e deve ir em busca dos seus sonhos, principalmente se a luta também for de enfrentamento ao preconceito numa sociedade marcada pelo patriarcado.
Em entrevista ao Programa É do Povo, na manhã desta quarta-feira (17), a camaçariense, Dilma, falou sobre o seu início no futebol. “Comecei jogando futebol com os meus irmãos. Eu costumo sempre dizer que foi o único jogo que gostei de perder, porque eu fui criada no meio de cinco irmãos e também de uma irmã. Eu não convenci meus irmãos a brincar de boneca, e agradeci demais de ter perdido esse jogo para eles, e passei a jogar futebol junto com eles”, conta.
Dilma também relata que viveu no período em que mulheres não podiam praticar futebol. “Venho de um período de proibição. Eu sou da época que tinha uma lei que proibia as mulheres de jogar futebol. Naquela época, eu não tinha essa noção. Mas, a gente teve uma lei que prevaleceu de 1964 que durou por 40 anos e por morar e nascer em Camaçari essas notícias chegavam muito pouco”, frisa.
Dilma já esteve à frente da seleção masculina de futsal em Camaçari, onde conseguiu vice-campeonato baiano. Na época, foi eleita melhor treinadora. “Existia a preconceito de uma mulher treinando um time masculino. Eu chegava nos arbitrais e a galera perguntava cadê o treinador do Bahia? Eu pensava: Não acredito, que o cara tá me vendo aqui e perguntando sobre o técnico. A gente foi rompendo isso. É bem diferente agora!”, afirma.
Em 2011, iniciou no Fut 7, em 2018 como técnica da Seleção Brasileira Feminina de Fut 7, Dilma revela que o Brasil precisa avançar em políticas públicas para o esporte. “Se a gente faz políticas públicas e trabalha hoje a menina num projeto social, como temos em Camaçari, ampliamos o alcance no esporte. Pedimos a Federação que nos ajude! O Brasil deve muito as mulheres que praticam futebol feminino, essa dívida está sendo paga agora, com a primeira parcela, quando colocaram a Duda e a Aline como as responsáveis pelo futebol feminino na CBF, mas isso é muito pouco, digo isso porque passei por todos os tipos de preconceitos”, afirma.
Ao final da entrevista, a atleta destacou a luta pelo protagonismo feminino no esporte. “A gente precisa encarar as dificuldades sem se colocar no lugar de vitimismo. Ah porque eu sou negra ..., ah porque eu sou mulher ... não! Vamos pra cima. Se não der de uma forma a gente dar voadora também”, brinca, querendo se referir a insistência em prosseguir no que acredita.
Assista a entrevista na íntegra:
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