Mais de 300 pessoas se uniram por um mesmo propósito: pedir Paz e Justiça para Mata de São João, município que fica a 64 km da capital baiana e recentemente tem se destacado pelo número de homicídios registrados desde o início do ano. A caminhada que ocorreu na manhã deste sábado (26), foi marcada por muita emoção e revolta de familiares e amigos das vítimas da violência.
O ato teve início na frente da prefeitura municipal e as pessoas, com apoio de um mini trio, percorreram as principais ruas do Centro, seguindo pela João Pessoa e finalizando com uma oração no Espaço da Alegria, no Centro de Abastecimento. Muitos participantes estavam munidos de faixas e cartazes para chamar a atenção de toda a população sobre o crescente número de homicídios na cidade, vitimando, sobretudo, jovens.
Para os organizadores, Márcio Monteiro e Pastor Nerivaldo, que a pedido do pai e mãe de João Neto, 13 anos, adolescente morto por uma bala perdida durante perseguição, promoveram a passeata, o momento simboliza a união de toda a sociedade contra a violência.
“Quero agradecer a todos que participaram da nossa caminhada, pois foi um ato importante que mobilizou toda a sociedade para aclamar por paz, pois nossa cidade pede por Paz e Justiça. Vamos unir nossas forças para promover outras caminhadas, juntamente como o Pastor Nerivaldo no litoral de Mata de São João, ressalta Márcio Monteiro.

Para a mãe de João Neto, Ana Cláudia Nunes, o momento ainda é delicado e de muito sofrimento, mas é necessário lutar por uma cidade de paz e Justiça. “Essa caminhada é uma forma de liberar um grito de socorro. Acredito que outras mães que passaram por essa situação tiveram vontade, mas não tiveram apoio. A população de Mata de São João está vulnerável, a violência acontecendo em pleno a luz do dia e as autoridades acharem que isso é normal? Pedimos Justiça! A paz é o fruto da Justiça e precisamos acreditar”, afirma.
Além dos familiares das vítimas, estiveram presentes representantes da comunidade evangélica, alguns vereadores e o coordenador de Esporte, Zelito.
Mortes
Eram 18h40, quando criminosos numa motocicleta começaram a perseguir Andrey Lucas de Almeida Assis, 22 anos, que estava dirigindo um Renault Sandero (NZC9146). A vítima tentou escapar dos atiradores pela Rua Silvano Batista, mas acabou sendo atingida pelos disparos. Andrey perdeu o controle do veículo e atingiu o muro de uma casa. O jovem não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Um dos disparos efetuados contra Andrey atingiu o adolescente de 13 anos, João Neto. O menor estava de bicicleta próximo de casa quando foi baleado no pescoço. Uma viatura da Polícia Militar chegou a socorrer João para a emergência do hospital Municipal Dr. Eurico Goulart de Freitas, mas ele não resistiu.
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