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Esporte Copa do Mundo

Brasil muda de rota para ataque produzir mais na fases finais

Seleção teve a pior média de gols durante a fase de grupos do Mundial

08/12/2022 08h14 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Keila Abreu Fonte: A Tarde
Lucas Figueiredo | CBF
Lucas Figueiredo | CBF

Em diversos cantos, com a convocação para a Copa do Mundo do Qatar, foi destacado que o Brasil chegaria à competição com um grande elenco de atacantes. Nove, ao todo, na lista de Tite. Essa escolha consolidou uma mudança na maneira  de jogar da Canarinho nos últimos quatro anos e, mais do que isso, reforçou uma tradição vigorosa, quase um DNA, de ataque insinuante. 

Lembrar dos nossos títulos mundiais significa passar por duplas como Pelé e Garrincha, Bebeto e Romário, Ronaldo e Rivaldo, além de   outras variações ofensivas. Somente essas três conquistaram quatro Copas: 1958, 1962, 1994 e 2002. Pelé estava ainda em 1970, formando um belo quarteto com Jairzinho, Rivelino e Tostão.  Na Copa de 2022, seria possível retomar esse percurso ofensivo da nossa história, pensávamos logo após a convocação feita por Tite. 

Entretanto, após as três partidas da primeira fase e a classificação conquistada com uma certa tranquilidade, o Brasil havia marcado apenas três gols – dois de Richarlison e um de Casemiro –, menor número brasileiro em  uma primeira fase na história de todas as Copas com o formato atual.

À título de comparação, em 2002 o Brasil marcou 11 vezes na fase de grupos. Em 1994, seis vezes. De 1982 para cá, a média de gols brasileiros nas três partidas da fase inicial é 6,6. A equipe dirigida por Tite fez, na fase de grupos, menos da metade da média histórica de gols do Brasil nesse etapa da competição. 

Com esse baixo aproveitamento, a despeito de todas as expectativas, uma interrogação surgiu: quando a força do ataque da Seleção iria realmente aparecer? Demorou, mas chegou. O triunfo por 4 a 1 contra a Coreia do Sul teve um tempero especial, de nossa lavra: quatro gols em menos 30 minutos. Ou seja, na segunda-feira, o Brasil precisou apenas de meia horinha para fazer mais gols do que nos 300 minutos jogados anteriormente no Qatar. Espera-se que de agora em diante esse ritmo ofensivo  prevaleça. 

Ataque participativo

Um outro elemento relevante nessa mudança é que todos os gols contra a seleção asiática, nas oitavas de final,   tiveram a participação dos jogadores mais ofensivos da equipe, seja estufando a rede ou dando o passe decisivo: Paquetá, Raphinha, Vinícius Júnior, Neymar e Richarlison, todos participaram,  direta ou indiretamente, dos quatro gols.  

No aspecto  de  envolvimento e   contribuição para as  jogadas de ataque, Vinícius Júnior foi o mais participativo, ao lado do artilheiro Richarlison, até então. Fez um gol e uma assistência contra a Coreia do Sul – somados ao passe para o voleio do Pombo na estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Ele também é o jogador que mais driblou adversários (oito  vezes) e mais deixou companheiros de equipe em condição de finalização (seis). Já marcou o seu e chamou o ataque brasileiro para dançar. 

Enquanto Vini segue bailando, Raphinha ainda não desencantou a bola na rede. Tem jogado bem, colaborado  com as tramas ofensivas,   mas demonstrado ansiedade no momento final, na  hora da finalização. Já Neymar segue cumprindo uma função importante na criação,  como armador e   também isca para a marcação das outras equipes, abrindo espaço nos lados  para os pontas brasileiros e também para os outros meias que chegam para ajudar  no ataque, a exemplo de Paquetá e Casemiro. No Qatar, já fez o seu, de pênalti, como tem sido recorrente na trajetória do atleta na Seleção enquanto principal batedor.

Comandando o setor ofensivo, Richarlison não é apenas o artilheiro do Brasil na competição, como conquistou a simpatia de milhões de torcedores que ainda não o conheciam tanto. Um dos jogadores mais celebrados até aqui, tem uma média excelente de um gol por partida – uma vez que ele foi poupado no jogo contra Camarões. Na briga pela artilharia da Copa do Mundo, torcemos para que, tal como Ronaldo em 2002, o Pombo, nosso atual camisa 9, seja o artilheiro do Brasil na conquista do hexa. 

Brasil pode ter força máxima contra a Croácia 

Com o retorno de Alex Sandro aos treinos na tarde de quarta, o técnico Tite pode ter o elenco completo de titulares à disposição para entrar em campo contra a Croácia nas quartas de final, nesta sexta, às 12h (da Bahia), no estádio da Cidade da Educação. O jogador, que teve uma lesão no quadril ainda na primeira fase, fez trabalho tático com o grupo. 

O lateral esquerdo iniciou um trabalho separado com bola, acompanhado pela equipe de fisioterapia, e depois se juntou aos demais jogadores da Seleção. Foi uma atividade leve, sem disputas de bola ou marcação mais acirrada. 

Desse modo, ainda é preciso aguardar os desdobramentos do treino desta quinta para fechar a participação ou não do titular brasileiro contra a seleção européia. Caso Alex Sandro tenha condições de jogo, Militão retorna para a reserva e Danilo volta para a sua função original, na lateral direita. Na atividade de quarta, o Brasil realizou um treino tático, fechado, seguindo a preparação para o próximo jogo decisivo. 

Depois do treino de quarta, o atacante Vinícius Júnior  falou do trabalho coletivo da equipe, tanto no ataque quanto na defesa, e da sua crescente responsabilidade no esquema ofensivo brasileiro atual. 

“Se cada um dividir a responsabilidade, não fica pesado para ninguém. É claro que os que estão jogando mais vão ter mais responsabilidade, mas Neymar não foge e eu também não. Quero estar na minha melhor versão para ajudar a equipe”, disse o craque brasileiro. 

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