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Puerpério na Adoção 2

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27/02/2023 14h11
Por: Keila Abreu Fonte: Fred Tognin
Ilustrativa
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Olá, LEITORES!

Vamos continuar o tema: “Puerpério na Adoção”?! Importante tema!

MoPovo, na adoção, muitas vezes, há um erro, logo na partida… A família adotante idealiza que a criança será grata ao acolhimento e não causará maiores problemas. E, na prática, é exatamente o contrário, viu! A criança “testará” o ambiente, de forma a obter a certeza de que será aceita, mesmo com tudo de provocador e insatisfatório que possa ter naquele momento. É raro, mas acontece muito! rs  

E por que será que a criança fica agressiva e desafiadora no início da convivência? A autora Lídia Weber, psicóloga especializada nesse tema, relata que o comportamento agressivo do filho adotado diz respeito ao medo da criança de ter a experiência de abandono repetida. A vida delas no abrigo é uma sucessão de abandonos e, assim, em vez de demonstrar amor, ela começa a provocar esse novo ambiente e a demonstrar seu ódio. Essa “testagem” faz parte do processo de vinculação e se configura como algo estruturante no processo de filiação e não deve ser entendido como algo destrutivo; prestem atenção! 

Toda raiva, choro e desespero da criança devem ser acolhidos e contidos, demonstrando que ela sobreviverá. Depois nós, pais, nos direcionamos ao chuveiro e choramos sozinhos, mas é necessário ter pulso firme nessa hora e não se igualar às crianças, lembrando-se de dizer mentalmente: “O adulto sou EU”. 

A criança precisará retomar a confiança no ambiente e reviver o ciclo benigno, formado a partir das repetidas vezes em que o bebê se percebe atacando de maneira voraz o corpo materno e experimenta o sentimento de culpa, não consciente, pelas consequências de sua agressividade destrutiva. A partir disso, ele vai em busca de reparação, que deve ser acolhida pela mãe. Quando a mãe é capaz de acolher, por repetidas vezes, a destrutividade e o ato reparatório, num processo cíclico, o bebê se torna capaz de seguir sua construtividade, apropriando-se dos impulsos destrutivos de forma produtiva à vida. E assim é na adoção tardia também!

O ciclo existe e vem recheado de palavras duras, fortes e que devem entrar por um ouvido e sair pelo outro da família adotante. Quando a criança fala que deseja voltar para o abrigo, nem sempre é isso mesmo. Dói ouvir? Muito! Mas “O adulto sou EU” e isso é uma resposta à sua dúvida se, de fato, será abandonada novamente ou acolhida. Com o tempo essa crise vai passar, tenhamos calma! Tudo no final dá sempre certo!

Mesmo com tantos desafios, adoção de crianças e adolescentes favorece as famílias adotantes a ter menos depressão e ansiedade, se comparado à adoção de bebês, sabiam? O fato das crianças estarem em idade escolar e desenvolver atividades fora da casa favorece fontes adicionais de apoio emocional e amortece os sentimentos de sobrecarga dos pais.

Nesta idade, já existe o uso da linguagem e uma história pregressa repleta de experiências que fazem com que a criança se apresenta não mais como um ser “incompleto” e, por isso, exige outros modos de vinculação afetiva. Lembram-se do texto sobre Doula de Adoção? Pois é, leiam novamente e compreendam a importância dessa profissão e o quão se torna indispensável nesse processo de compreensão, direcionamento e apoio socioemocional das famílias.

Até março, MoPovo! Falaremos sobre o famoso ECA!

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Fred Rios Tognin
Sobre Fred Rios Tognin
Fred Rios Tognin, é pai, ativista de adoção tardia e inter-racial e especial. É casado e tem uma família pluriparental de cinco pessoas que se amam e se cuidam . Escreve uma vez por mês!
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