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Geral Candida auris

Superfungo é detectado em mais um hospital em Pernambuco

Uma mulher de 49 anos foi a óbito por complicações da doença neurológica

22/09/2023 09h44
Por: Keila Abreu Fonte: Correio 24 horas
 FreePik / Banco de Imagens
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Superfungo emergente que representa uma séria ameaça à saúde pública, a Candida auris foi detectada em mais um hospital de Pernambuco. São atualmente cinco surtos (cada um representado por uma unidade de saúde) no Estado.

Agora, o superfungo (capaz de causar infecção na corrente sanguínea e outras invasivas) chegou ao Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), localizado na Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife. A paciente, que estava internada na unidade de saúde, tinha 49 anos e foi a óbito no último dia 2 de setembro, "devido a complicações relacionadas a doenças de base (no caso da paciente em questão, doença neurológica)", explica a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE).

Assim, neste ano, sobe para 13 o número de casos confirmados de Candida auris em cinco surtos em continuidade em unidades de saúde localizadas no Grande Recife. Os surtos foram registrados no Hospital Miguel Arraes, em Paulista; no Hospital do Tricentenário, em Olinda; no Real Hospital Português; no Hospital da Restauração; e no HC-UFPE (estes três últimos localizados na capital).

CANDIDA AURIS: SUPERFUNGO EM DISCUSSÃO NO INFECTO 2023

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) confirmou o 13º caso após o JC solicitar atualizações, nesta quinta-feira (21), sobre os surtos de Candida auris em Pernambuco. O superfungo é um dos temas de destaque da programação do 23º Congresso Brasileiro de Infectologia, realizado em Salvador até a sexta-feira (22).

O maior problema relacionado ao superfungo Candida auris, de acordo com o infectologista Filipe Prohaska, é que esse agente infeccioso é multirresistente a diversos medicamentos antifúngicos.

"É um micro-organismo exclusivamente hospitalar", diz o médico, que é consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia e conversou sobre o tema, nesta quinta-feira (21), com jornalistas que fazem a cobertura do 23º Congresso Brasileiro de Infectologia.

O médico se preocupa com o potencial agressivo desse fungo. De acordo com Filipe Prohaska, a Candida auris pode permanecer viável por longos períodos no ambiente (semanas ou meses) e apresenta resistência a diversos desinfetantes, inclusive os que são à base de quaternário de amônio.

Estudos apontam que até 90% dos isolados de Candida auris são resistentes às seguintes medicações: fluconazol, anfotericina B ou equinocandinas.

QUATRO PACIENTES ISOLADOS NO HOSPITAL DAS CLÍNICAS

Diante do novo surto de Candida auris, o HC-UFPE recebe apoio técnico da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) para monitorar quatro pacientes que tiveram contato com a paciente que morreu colonizada pelo superfungo.

"Nenhum atendimento precisou ser interrompido na unidade, e os pacientes que tiveram contato com o caso confirmado estão em isolamento", garante a SES-PE.

Do total de 13 confirmações de Candida auris este ano em Pernambuco, sete pacientes receberam alta hospitalar e dois permanecem internados no Hospital do Tricentenário, em Olinda, no Grande Recife. Além deles, quatro pacientes foram a óbito.

"A SES-PE salienta que o Estado não registrou morte, até o momento, causada por Candida auris", garante. Isso significa que os óbitos foram decorrentes de complicações das doenças de base apresentadas pelos pacientes colonizados pelo superfungo.

É importante explicar que a colonização indica que o paciente está com o fungo, mas não apresenta infecção - e esta ocorre quando há presença de Candida auris na corrente sanguínea.

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