O governo brasileiro suspendeu a emissão de novos vistos de trabalho temporário para a empresa BYD após o resgate de 163 trabalhadores chineses em situação análoga à escravidão em Camaçari. A decisão, anunciada pelo Ministério das Relações Exteriores na sexta-feira (27), ocorre enquanto o caso, que envolve tráfico internacional de pessoas, está sendo investigado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e outros órgãos.
Os vistos suspensos são do tipo Vitem V, destinados a trabalhadores com formação específica, e a orientação foi enviada aos postos do Brasil na China. A suspensão é uma medida temporária, válida até o esclarecimento das denúncias. Em audiência realizada na quinta-feira (26), representantes da BYD e da terceirizada Jinjiang Open Engineering comprometeram-se a colaborar, oferecendo alojamento, documentação e passagens para o retorno de sete trabalhadores à China.
A Jinjiang Construction Brazil negou as acusações em um vídeo divulgado no mesmo dia, afirmando que os trabalhadores não enfrentaram condições precárias e que a situação está relacionada à regularização de documentos. O caso será novamente discutido em audiência no dia 7 de janeiro, quando as empresas deverão apresentar um termo de ajuste de conduta. O Ministério Público Federal (MPF) também solicitou o compartilhamento de provas para possíveis medidas penais.
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