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Por que o resgate da brasileira na Indonésia está demorando tanto

Juliana Marins caiu de penhasco no Monte Rinjani. Resgate enfrenta terreno hostil e clima ruim. Família critica lentidão e aponta desinformação.

23/06/2025 17h55 Atualizada há 1 ano atrás
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A brasileira Juliana Marins, de 26 anos, caiu em um penhasco durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, na madrugada do último sábado (21), horário local, ainda sexta-feira (20) no Brasil. Desde então, equipes de resgate enfrentam dificuldades para chegar até o local onde ela foi localizada, nesta segunda-feira (23), por meio de drones térmicos, a aproximadamente 500 metros abaixo da trilha.

O terreno íngreme, as baixas temperaturas e a densa neblina têm interrompido diversas vezes as tentativas de resgate. Segundo especialistas, o uso de helicóptero é considerado inviável devido às condições climáticas e geográficas da região.

A família da jovem, que é publicitária e natural de Niterói (RJ), denuncia falhas de comunicação entre as autoridades indonésias e brasileiras, além da falta de estrutura adequada. O pai de Juliana informou que está a caminho da Indonésia, mas teve dificuldades para viajar devido ao fechamento do espaço aéreo após os ataques do Irã a bases americanas.

O que aconteceu?
Juliana realizava um mochilão pela Ásia e fazia trilha no Monte Rinjani, que tem mais de 3.700 metros de altitude. Relatos apontam que ela demonstrou cansaço e foi deixada para trás pelo guia do grupo. O profissional só retornou uma hora depois, quando percebeu sua ausência, e constatou que ela havia caído em um penhasco.

Por que o resgate é tão difícil?
A operação é dificultada pelo terreno acidentado, mudanças bruscas no clima, neblina densa e fortes ventos. Inicialmente, as cordas disponíveis não eram suficientes para atingir a profundidade onde Juliana foi vista. A operação aérea também foi considerada arriscada.

Dois alpinistas experientes e voluntários se uniram à missão de resgate. Um deles, identificado como Agam, divulgou vídeos mostrando a baixa visibilidade. Eles pretendem estabelecer uma nova base em área mais baixa da montanha para tentar alcançar Juliana com cordas de 450 metros.

Qual é o estado de saúde de Juliana?
A jovem foi avistada consciente poucas horas após a queda, mas debilitada. Em nova localização feita por drones nesta segunda-feira (23), ela apareceu imóvel, sem sinais visíveis de movimento, presa a um paredão rochoso. Estava com roupas leves: calça jeans, camiseta, luvas e tênis, sem agasalho nem os óculos, essenciais devido à sua miopia.

O que diz a família?
Familiares afirmam que Juliana está há dias sem receber comida, água ou agasalho. Eles também denunciam que o parque onde ocorreu o acidente permanece aberto ao turismo, o que, segundo eles, demonstra negligência.

Houve desinformação?
Sim. Autoridades indonésias e até a embaixada do Brasil em Jacarta chegaram a afirmar que Juliana havia recebido mantimentos e proteção térmica — o que foi desmentido pela família. O embaixador brasileiro reconheceu a falha e pediu desculpas, alegando ter se baseado em informações imprecisas.

O que dizem as autoridades brasileiras?
O Itamaraty informou que dois representantes da embaixada brasileira foram enviados no sábado (21) para acompanhar pessoalmente os esforços de resgate. A amiga de Juliana, Lara Fassarella Pierri, está em Lombok e tem atualizado familiares e imprensa sobre os avanços e entraves da operação.

O Monte Rinjani é perigoso?
Sim. Considerada uma das trilhas mais difíceis da Indonésia, o trajeto exige até quatro dias de caminhada, com terreno escorregadio, altitude elevada e clima instável. Acidentes já foram registrados anteriormente, incluindo a morte de um turista português em 2022 e de um malaio em maio deste ano.

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