O comandante-geral da Polícia Militar da Bahia, coronel Antônio Carlos Silva Magalhães, comentou nesta quinta-feira (10) as circunstâncias que envolvem a morte de dois jovens durante uma ação policial em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Segundo a PM, Gilson Jardas de Jesus Santos, de 18 anos, e Luan Henrique, de 20, foram mortos em uma troca de tiros com agentes da 59ª CIPM, versão contestada pelas famílias das vítimas.
“Nos solidarizamos com as famílias pela situação específica e já adotamos as medidas preliminares investigativas. Solicitamos acompanhamento do Ministério Público. Se houve erro, nossos policiais vão responder por isso. A Polícia Militar não é feita para errar, mas para buscar acertos”, afirmou o comandante.
Os jovens morreram na terça-feira (8), no loteamento Canto dos Pássaros. De acordo com Maria Silvânia, mãe de Gilson, os dois estavam na porta de casa quando foram abordados por policiais. Testemunhas afirmam que os agentes mandaram que os jovens entrassem no imóvel e, pouco depois, ouviram dois disparos. Em seguida, os corpos foram retirados do local e colocados no porta-malas da viatura, segundo vídeos gravados por moradores.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), também comentou o caso e disse ter pedido celeridade ao secretário de Segurança Pública, Marcelo Werner. “Solicitei agilidade no processo para que tenhamos, em breve, um laudo da perícia e um relatório que permita tomar decisões com base nos fatos”, declarou.
A Polícia Civil registrou o caso como “morte por intervenção de agente do Estado” e investiga a conduta dos envolvidos. O subsecretário da SSP-BA, Marcel de Oliveira, informou que os policiais foram afastados das ruas e cumprem funções administrativas. As armas utilizadas foram apreendidas.
Um dos pontos questionados é a ausência de câmeras corporais nos uniformes dos agentes envolvidos. Em entrevista à imprensa, o delegado-geral da Polícia Civil, André Viana, reconheceu a importância do uso da tecnologia: “É preciso aprofundar o aparato tecnológico. A sociedade espera respostas claras.”
A versão da Polícia Militar sustenta que os jovens foram atingidos após confronto com agentes e que, com eles, foram encontradas duas pistolas calibre .40 com numeração suprimida, uma espingarda calibre 12 sem numeração e uma pistola falsa. Os dois teriam sido socorridos ao Hospital Geral de Camaçari, mas não resistiram.
As famílias, no entanto, contestam essa versão. Informaram que Gilson possuía uma espingarda usada para caçar passarinhos e um simulacro para prática de airsoft, esporte do qual participava. Os parentes negam ter visto as pistolas atribuídas aos jovens e afirmam que a PM só chegou ao hospital duas horas após a abordagem.
Os corpos de Gilson e Luan foram sepultados no final da tarde de quarta-feira (9), sob forte comoção. Familiares afirmam que não havia cápsulas no local da suposta troca de tiros nem marcas de disparos na casa. “Luan era um menino trabalhador, sempre pronto a ajudar. Quem conhece, sabe da história dele”, disse Wesley Clayton, irmão do jovem.
O caso segue em investigação, com acompanhamento do Ministério Público e da Secretaria de Segurança Pública. A expectativa é que os laudos periciais ajudem a esclarecer os fatos e direcionem eventuais responsabilizações.
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