A Câmara de Recursos do Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu instaurar um processo disciplinar para investigar supostas irregularidades nas eleições internas realizadas em Camaçari e Barro Preto, na Bahia. A medida foi tomada nesta quinta-feira (24), após vir à tona que eleitores falecidos teriam sido registrados como votantes. A decisão também prevê a criação de uma comissão estadual para apurar a extensão da fraude e, caso confirmada, determinar a anulação dos votos nas urnas comprometidas.
A denúncia partiu da chapa "Partido Forte", derrotada na eleição que elegeu Tássio Brito como novo presidente estadual da sigla. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelou pelo menos cinco eleitores mortos registrados em Camaçari e um em Barro Preto. Os membros da chapa denunciante classificaram o processo como “uma gincana de vale-tudo”, insinuando que até mortos participaram da escolha interna do partido.
De acordo com as informações do Estadão, em nota, a Câmara de Recursos do PT reconheceu por unanimidade que houve irregularidades nas duas cidades, mas ainda não definiu o impacto total das distorções. Segundo o órgão partidário, a apuração deverá esclarecer a extensão da fraude e, se comprovadas as acusações, os votos dos falecidos serão anulados. A legenda não informou, até o momento, se outras etapas do processo eleitoral serão reavaliadas.
A chapa derrotada contesta o resultado e acusa a atual direção estadual de manipular o Processo de Eleição Direta (PED) de 2025. Em nota interna, o grupo afirma que o resultado expressa uma “maioria fantasmagórica”, que não representa a verdadeira base petista. A denúncia foi acompanhada por documentos e certidões de óbito que comprovam a presença de eleitores falecidos nas listas. Mesmo com a confirmação dos registros irregulares, o diretório estadual decidiu manter a validade da eleição nas duas cidades, o que levou a chapa contestante a recorrer à instância nacional do partido.
Relembre o caso:
Após as eleições para a presidência do Diretório Municipal do PT em Camaçari, surgiram denúncias de possíveis fraudes envolvendo nomes de pessoas falecidas que constariam como votantes no Processo de Eleição Direta (PED) realizado em 6 de junho. O perfil no Instagram “Vacilos Camaçari” divulgou imagens da suposta lista, que incluía nomes como o do sindicalista Crispim Carvalho da Hora, falecido em 2016, e da servidora Nikelândia Oliveira Cavalcante, morta em 2021. A repercussão foi imediata, com matéria jornalística destacando o escândalo e nomes de outros supostos eleitores que não compareceram, mas tiveram suas assinaturas registradas.
Figuras públicas como Anderson Santos, atual presidente do PDT local, e o vereador Jackson Josué (União), denunciaram a inclusão indevida de seus nomes e de parentes na lista de votação, classificando o caso como fraude e prometendo medidas legais. A mãe do ex-vereador Otaviano Maia, falecida em 2011, também estaria na lista. Apesar das acusações, o vereador Kaique Ara (PT) foi eleito presidente do diretório com votação considerada histórica, consolidando sua liderança no partido, segundo sua assessoria.
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