Os Estados Unidos passam a cobrar, a partir desta quarta-feira (6), tarifa de importação de 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi oficializada na última quarta-feira (30) pelo presidente Donald Trump, por meio de decreto que, segundo a Casa Branca, responde a ações do governo brasileiro que representariam uma "ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA".
A ordem executiva assinada por Trump adiciona 40% de sobretaxa à alíquota já existente de 10%. Apesar disso, o documento prevê isenções para cerca de 700 itens, incluindo suco de laranja, aeronaves civis, combustíveis, veículos, peças automotivas, fertilizantes e produtos energéticos.
De acordo com o governo norte-americano, a decisão é uma resposta direta a práticas que “prejudicam empresas americanas e os direitos de liberdade de expressão de cidadãos americanos”. Entre os exemplos citados está o processo criminal aberto no Brasil contra o blogueiro Paulo Figueiredo, residente nos EUA, por declarações feitas em território americano.
O comunicado acusa o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “perseguir opositores políticos, intimidar empresas americanas, censurar conteúdo em redes sociais e congelar ativos”. A Casa Branca afirma que ações como essas minam o Estado de Direito no Brasil e configuram “graves abusos de direitos humanos”.
Além das tarifas, os Estados Unidos também revogaram os vistos de ministros do STF e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Estão na lista Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Foram poupados os ministros André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux.
A Casa Branca reforçou que continuará priorizando a defesa da liberdade de expressão e a proteção de empresas americanas no exterior. “O presidente Trump está defendendo empresas americanas contra extorsão, protegendo cidadãos americanos contra perseguição política, e salvaguardando a liberdade de expressão”, afirma o documento.
Negociações travadas
As tentativas do governo brasileiro de reverter a tarifa seguem sem avanços. O presidente Lula afirmou nesta terça (5) que ainda pretende dialogar com Trump, mas descartou a ligação neste momento: “Eu não vou ligar para o Trump para comercializar porque ele não quer falar. Mas eu vou ligar para convidá-lo para a COP”, disse.
Apesar do impasse, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que terá uma reunião com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, ainda nesta semana — em preparação para um eventual encontro entre os dois chefes de Estado.
A expectativa por uma saída diplomática, no entanto, diminuiu após o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, afirmar no domingo (3) que é “improvável” qualquer acordo com outros países nos próximos dias.
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