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Auditor fiscal preso em esquema da Ultrafarma teria recebido mais de R$ 1 bilhão em propina

Ministério Público de SP aponta que Artur Gomes da Silva Neto favoreceu empresas na quitação de créditos tributários em troca de pagamentos mensais; operação apreendeu dinheiro, esmeraldas e criptomoedas

12/08/2025 22h30 Atualizada há 11 meses atrás
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Crédito: Reprodução
Crédito: Reprodução

O auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, apontado como operador central de um esquema bilionário de corrupção na Secretaria da Fazenda de São Paulo, foi preso nesta terça-feira (12) durante a Operação Ícaro, do Ministério Público paulista. Segundo as investigações, ele teria recebido mais de R$ 1 bilhão em propinas desde 2021 para facilitar a quitação de créditos tributários de empresas como a rede de farmácias Ultrafarma e a varejista Fast Shop.

A ação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec) com apoio da Polícia Militar, cumpriu três mandados de prisão temporária contra o auditor, o empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, e Mario Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop. Foram também cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e sedes das empresas investigadas.

Nas diligências, os agentes apreenderam cerca de R$ 1,8 milhão em espécie, dois pacotes de esmeraldas, US$ 10 mil, 600 euros, aproximadamente R$ 10 milhões em criptomoedas, relógios e pedras preciosas cujo valor ainda será calculado. Na casa de um dos investigados, Celso Éder Gonzaga de Araújo, apontado como responsável por lavar parte dos valores, foi encontrado um cofre com dinheiro e joias.

De acordo com o MP, Artur recebia pagamentos mensais por meio de uma empresa registrada em nome de sua mãe, que teria aumentado seu patrimônio em mais de 5 mil vezes em apenas dois anos. A propina era paga em troca de manipulação de processos administrativos para agilizar ressarcimentos de ICMS a empresas beneficiadas.

Além de Artur, Sidney e Mario Otávio, também foram presos o auditor fiscal Marcelo de Almeida Gouveia, Celso Éder Gonzaga de Araújo e Tatiane da Conceição Lopes, esposa de Celso. Os investigados podem responder por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A Secretaria da Fazenda e Planejamento de SP afirmou ter instaurado processo administrativo para apurar a conduta do servidor e solicitou o compartilhamento das informações do caso ao MP. A pasta reforçou o compromisso com “valores éticos e justiça fiscal” e disse repudiar quaisquer condutas ilícitas.

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