O número de mulheres mortas por feminicídio com uso de arma de fogo em Salvador e Região Metropolitana (RMS) dobrou em 2025. Segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado, divulgado nesta terça-feira (19), entre 1º de janeiro e 14 de agosto foram registradas quatro mortes, contra duas no mesmo período do ano passado.
Embora o total de ocorrências tenha se mantido em quatro, a gravidade aumentou. Em 2024, duas mulheres morreram e outras duas sobreviveram aos disparos. Já em 2025, todas as vítimas atingidas não resistiram. Os casos aconteceram em Camaçari, com duas mortes, e em Simões Filho, também com duas.
Um dos crimes que chamou atenção foi o assassinato de Maria Cláudia da Conceição, em Camaçari. No dia 26 de maio, ela foi morta a tiros pelo ex-companheiro, Ladislau de Jesus Conceição, na Rua Francisco Dumont, no bairro Parque Verde. Após o crime, policiais militares iniciaram buscas e encontraram o agressor sem vida em uma residência da mesma localidade. Menos de um mês antes, a Justiça havia emitido medida protetiva em favor de Maria Cláudia, depois que Ladislau foi preso em flagrante por ameaçá-la de morte ao não aceitar o fim do relacionamento.
O levantamento do Instituto Fogo Cruzado também aponta aumento no conjunto dos 57 municípios monitorados. Foram 29 registros de feminicídio ou tentativa de feminicídio com arma de fogo em 2025, crescimento de 45% em comparação com 2024, quando houve 20 casos. A letalidade cresceu: 76% das vítimas não sobreviveram neste ano, totalizando 22 mortes e sete mulheres feridas. No ano passado, a taxa foi de 60%, com 12 mortes e oito sobreviventes.
Outro dado relevante é a participação de agentes de segurança nos crimes. Das 29 mulheres baleadas em 2025, sete foram atingidas em ataques praticados por policiais ou militares, o que corresponde a 25% das ocorrências.
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