Nove meses após o desaparecimento de dois funcionários de um ferro-velho no bairro de Pirajá, em Salvador, o empresário Marcelo Batista foi preso no mesmo local onde as vítimas trabalhavam. A prisão, no entanto, não foi determinada pelas mortes dos trabalhadores que até hoje não foram localizados. Marcelo foi detido nesta terça-feira (26), na verdade, pela participação na tentativa de homicídio de outras três pessoas.
O empresário e outros três homens, supostamente policiais, são suspeitos de tentar executar três vítimas após Marcelo Batista desconfiar que itens do ferro-velho estavam sendo roubados. O principal alvo da execução seria um funcionário que trabalhava no estabelecimento há cerca de um ano. Segundo as investigações, o homem roubou materiais do ferro-velho e contratou duas pessoas para fazer o transporte dos itens.
As três pessoas foram vítimas de disparos de armas de fogo no momento em que realizavam o transporte do material furtado, como explicou o delegado José Nélis. Segundo ele, duas das vítimas foram contratadas para transportar os itens sem saber que eles haviam sido roubados do ferro-velho.
"Uma das pessoas era funcionária e efetivamente teria participado do furto. Ele contratou duas pessoas, que estavam completamente alheias aos fatos, para fazer o transporte da carga. Naquele momento, as pessoas são recepcionadas pelo grupo, que efetua diversos disparos contra o caminhão", detalhou. As três pessoas pularam do veículo ainda em movimento e conseguiram fugir. O veículo ficou cravejado de balas e, as pessoas, machucadas. As vítimas relatam que Marcelo foi um dos homens que atiraram contra eles.
O episódio, segundo as investigações, ocorreu no dia 3 de novembro de 2024. Portanto, um dia antes do desaparecimento de Paulo Daniel Pereira Gentil do Nascimento, de 24 anos, e Matusalém Lima Muniz, de 25. A tripla tentativa de homicídio não é novidade para a polícia, mas os fatos vieram à público oficialmente nesta terça-feira (26). Mas, afinal, o que motivou o novo pedido de prisão de Marcelo?
De acordo com o delegado José Nélis, mesmo foragido, Marcelo Batista praticava ameaças contra as três pessoas que tentou matar em novembro do ano passado, o que teria ajudado a embasar o pedido de prisão preventiva. O contato mais recente teria ocorrido em fevereiro deste ano, quando o empresário disse para uma das pessoas que plantaria informações falsas através de uma repórter, com o intuito de prejudicar a vítima. A reportagem tenta contatar a defesa do empresário.
Rede de torturas e mortes
As investigações apontam para um esquema de violência conduzido por Marcelo Batista no ferro-velho. Ao desconfiar de que pudesse estar sendo furtado pelos funcionários, o empresário praticava tortura e, em alguns casos, tentava matar os trabalhadores. Ele foi denunciado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), inclusive, por ser o mandante da morte de suas pessoas, de prenomes Adson e Priscila, em 2016.
A polícia também acredita que ele tenha sido responsável pelas mortes de Paulo Daniel e Matusalém Lima. Ambos trabalhavam há três semanas no estabelecimento quando foram acusados de furto pelo empresário. Segundo o delegado José Nélis, não há indícios de que eles tenham, de fato, cometido o crime.
Marcelo Batista foi preso nesta terça-feira (26), no ferro-velho, no bairro de Pirajá. Ele passará por audiência de custódia na quarta-feira (27). O empresário estava submetido à medidas cautelares desde junho deste ano, quando se entregou à polícia após passar sete meses foragido.
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