O peso da dívida pública da União voltou ao centro do debate econômico e político em 2025. Dados do Tesouro Nacional mostram que o estoque da Dívida Pública Federal (DPF) alcançou R$ 8,145 trilhões em agosto, enquanto a dívida bruta do setor público manteve-se em 77,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
O nível elevado, combinado a juros ainda altos, acende sinais de alerta sobre a sustentabilidade fiscal do país e aumenta o risco de uma recessão nos próximos anos.
Com a Selic ainda em dois dígitos por grande parte de 2025, a conta de juros consumiu uma fatia relevante do orçamento, contribuindo para déficits nominais persistentes. Segundo o Banco Central, apenas em agosto o déficit nominal chegou a R$ 91,5 bilhões. Atualmente, uma parte expressiva dos títulos públicos está indexada à taxa Selic, o que torna o serviço da dívida extremamente sensível às decisões de política monetária.
Projeções divulgadas pelo Tesouro Nacional indicam que a razão dívida/PIB pode superar 82% até 2026 caso não haja melhora fiscal ou expansão robusta do PIB. “Sem avanço estrutural, o risco é de o Brasil entrar em uma nova recessão combinada com perda de credibilidade fiscal”, afirmam relatórios de consultorias econômicas.
A ameaça de recessão vem da combinação entre alto endividamento, juros elevados e baixo crescimento. Se o governo não encontrar espaço para reduzir déficits primários e ao mesmo tempo estimular investimentos produtivos, a tendência é de estagnação prolongada. Isso pode se traduzir em menor geração de empregos e queda no poder de compra da população.
Em meio a incertezas, o Brasil inicia a reta final de 2025 com um dilema que atravessa governos desde Dilma: como estabilizar a dívida pública sem comprometer o crescimento. O próximo capítulo dependerá da capacidade do governo de combinar responsabilidade fiscal com medidas que façam a economia reagir.
Cenário histórico
Nos últimos dez anos, o Brasil registrou saltos sucessivos em sua relação dívida/PIB, marcados por crises políticas, recessões e choques externos:
Dilma Rousseff (2011–2016): A recessão de 2015 e 2016, combinada a déficits primários elevados, levou a um aumento acelerado da dívida. A confiança dos investidores se deteriorou e o indicador passou a trajetória ascendente.
Michel Temer (2016–2018): Tentou conter a expansão com medidas como o teto de gastos. Ainda assim, o crescimento econômico fraco manteve a dívida em patamares elevados, sem reversão significativa.
Jair Bolsonaro (2019–2022): A pandemia de 2020 provocou um salto histórico: aumento expressivo de gastos emergenciais e queda do PIB fizeram a relação dívida/PIB atingir picos recordes. Embora o índice tenha oscilado após a reabertura econômica, consolidou-se em nível mais alto do que na década anterior.
Em 2025, o governo lida com juros ainda elevados e forte pressão de curto prazo sobre a dívida. O Tesouro destaca que a concentração de títulos indexados à Selic amplia a vulnerabilidade das contas públicas. Economistas ressaltam que, mesmo com estabilidade momentânea no indicador, o custo com juros compromete a capacidade de investimento do Estado.
Relatórios recentes do Tesouro e análises de mercado apontam que a razão dívida/PIB pode ultrapassar 80% até 2026, caso não haja avanço significativo no crescimento econômico ou medidas de ajuste fiscal. Agências internacionais, como o FMI, também reforçam que a trajetória depende de dois fatores centrais: crescimento sustentado do PIB e disciplina fiscal.
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