A Bahia registra alta nos números de violência autoprovocada, que inclui tentativas de suicídio e autoagressão, segundo o Boletim Epidemiológico da Violência Autoprovocada na Bahia, divulgado no mês de setembro pela Secretaria de Saúde do Estado. A publicação aponta ainda que entre 2020 e 2024, foram notificados 23.142 casos, sendo 7.320 somente em 2024, o maior número da série histórica.
Entre 2022 e 2023, os registros tiveram um crescimento expressivo, passando de 3.901 para 6.110 casos, um aumento de 56,7%. Os dados constam no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), da Sesab, atualizados em 26 de agosto de 2025 e divulgados no mês de setembro.
No mesmo período, 4.334 pessoas foram vítimas de suicídio, sendo 82% homens (3.534 óbitos) e 18% mulheres (800 óbitos). A faixa etária mais atingida é a de 30 a 39 anos.
O que chama a atenção é o crescimento dos casos na Região Metropolitana de Salvador (RMS). De acordo com o boletim: "A maior concentração de casos na Macrorregião Leste justifica-se pela dimensão geográfica e populacional, na qual encontra-se a capital do estado."
Nos últimos quatro anos, as ocorrências na RMS vêm aumentando vertiginosamente, como aponta a publicação:
2020: Aproximadamente 1.300 casos.
2021: Aproximadamente 1.700 casos.
2022: Aproximadamente 1.800 casos.
2023: Aproximadamente 3.000 casos.
2024: Aproximadamente 3.700 casos.
Apesar da predominância masculina nos óbitos, as notificações de tentativas de suicídio e autoagressões em todo o estado concentram-se em mulheres, que representam 66,11% dos casos. O grupo mais afetado é o de 20 a 34 anos, com 9.176 notificações, cerca de 39,6% do total.
Geograficamente, os registros se concentram principalmente na macrorregião Leste, onde está localizada Salvador, seguida pelas regiões Sudoeste e Centro-Leste. Em relação à cor/raça, pessoas negras (pretas e pardas) correspondem a 60,6% dos casos, evidenciando desigualdades sociais e econômicas que impactam a saúde mental da população.
Confira o gráfico divulgado no Boletim Epidemiológico da Violência Autoprovocada na Bahia.
No documento a SESAB faz ainda recomendações aos gestores municipais:
Os achados desta análise chamam atenção para a necessidade de fortalecimento das ações de prevenção do suicídio e promoção da saúde mental, bem como de iniciativas voltadas ao enfrentamento do estigma relacionado aos transtornos mentais e ao suicídio. Destaca-se também a importância da expansão da rede de atenção psicossocial, visando garantir o acesso democrático e equitativo aos serviços de saúde mental.
Recomenda-se aos gestores regionais e municipais que direcionem esforços no sentido de: estimular o aumento das
notificações de lesões autoprovocadas; assegurar a notificação, o manejo e o encaminhamento dos casos de tentativa
de suicídio em tempo oportuno.
Importante ressaltar que, nos casos de violência, não há encerramento de ficha de notificação e tampouco se trabalha
com a classificação de "casos confirmados", uma vez que a notificação tem caráter preventivo e vigilante, não estando
condicionada à confirmação do evento.
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