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Após demissões de salva-vidas, orla de Camaçari registra mais de 100 afogamentos em apenas um mês

A falta de profissionais, fechamento de postos de salvamento e contratações por indicação política, podem colocar em risco a vida de moradores e turistas

06/01/2026 14h10 Atualizada há 6 meses atrás
Por: Redação Fonte: Mais Região
Divulgação / AGEMAC
Divulgação / AGEMAC

Nos últimos 30 dias, foram registrados 116 afogamentos na Costa de Camaçari, de acordo com dados da Associação dos Guarda-Vidas de Camaçari (AGMAC). A informação foi confirmada pelo presidente da entidade, Edevaldo Neto, que atribui o aumento das ocorrências ao déficit de profissionais responsáveis pela segurança nas praias do município.

Em entrevista exclusiva ao portal Mais Região, Edevaldo alertou que o número de acidentes pode crescer ainda mais devido à redução no efetivo de salva-vidas. Segundo ele, seriam necessários cerca de 200 profissionais para garantir a segurança adequada nos 42 quilômetros de faixa costeira da cidade, que compreendem seis praias bastante frequentadas por moradores e turistas.

“Para você ter uma ideia, foram desativados vários postos entre Arembepe, Guarajuba, Barra do Jacuípe e Itacimirim. O que mais preocupa são os sete postos que funcionavam em Jauá, uma das praias mais movimentadas de Camaçari e com maior registro de afogamentos”, disse.

Dados da própria AGMAC apontam que, entre os dias 6 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026, além dos 116 afogamentos, foram contabilizadas três mortes, 260 ações de prevenção e três ocorrências envolvendo crianças perdidas, que posteriormente foram devolvidas aos responsáveis legais.

“A quantidade de pessoas na Costa só está aumentando. O número de afogamentos cresceu 85% e o prefeito não faz nada”, desabafou o representante dos socorristas.

Edevaldo Neto afirmou ainda que foi surpreendido, na manhã desta terça-feira (06), com a contratação de 4 pessoas sem treinamento ou qualificação para atuar como salva-vidas. Segundo ele, as admissões teriam ocorrido por indicação política do vereador do PDB de Camaçari, João Dão, que o teria proibido de entrar no posto do Salvamar, localizado na praia de Arembepe.

“Ele disse publicamente, em reunião com todos os salva-vidas, que eu estou proibido de entrar nesse posto. Isso tudo porque a maioria das indicações é dele, e ele não quer que eu denuncie.”

De acordo com o presidente da AGMAC, a contratação desses profissionais terceirizados fere cláusulas contratuais que exigem, no mínimo, 120 horas de formação para atuação nas praias do município. Ele destacou ainda que o documento utilizado como base para o processo licitatório é de 1997 e que, em quase 30 anos, nunca passou por atualização.

“O salvamento aquático de Camaçari está abandonado há muito tempo. Hoje, estamos um pouco piores do que estávamos no passado, principalmente por causa das demissões.”

Edevaldo Neto também informou que os salva-vidas desligados durante a gestão do prefeito Luiz Caetano (PT) estão trabalhando como diaristas em condomínios privados da Costa de Camaçari, recebendo cerca de R$ 150 por dia, sem benefícios ou garantias trabalhistas.

Segundo ele, atualmente os profissionais são representados pelo sindicato dos Bombeiros Civis, que, conforme relatado, não realiza a fiscalização das empresas terceirizadas responsáveis pelo serviço.

“Estamos pedindo socorro, porque a maioria não pode se manifestar por medo de perder seus empregos e acabar como nossos colegas, atuando sem nenhuma garantia”, finalizou.

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