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O que se ganha quando se perde?

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02/03/2026 14h34
Por: Keila Abreu Fonte: Lizandra Monteiro
Ilustrativa
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O que se ganha quando se perde?

Foi essa pergunta, ou melhor, essa reflexão, que me consumiu nos últimos dias de fevereiro.Perder parece sempre um verbo absoluto. Algo que termina, algo que escapa, algo que não se sustenta. E quase sempre, antes mesmo de entender o que aconteceu, surge a pergunta que fazemos a nós mesmos: onde falhamos?

A culpa é instantânea. Quase automática. Nos consome com pavor. Como se perder fosse necessariamente não ter sido suficiente. Mas nem tudo o que se perde poderia ter sido salvo.Algumas coisas já estavam frágeis antes mesmo de ruírem. Algumas relações já estavam ausentes antes mesmo da despedida. Algumas estruturas só pareciam estar firmes porque ainda não haviam sido testadas.

Admitir isso tem valor enorme.Há uma maturidade genuína em reconhecer que não se salva o que não quer permanecer. Uma construção feita a dois não se sustenta sozinha. Nem toda ruptura é erro, muitas vezes, é revelação. Há ainda outra camada, mais profunda, em tudo isso.

Quando sabemos exatamente o que perdemos, a dor se torna mais nítida e consciente. Perder uma ilusão é uma coisa. Perder a clareza do que existia e de que não voltará, é outra. E então surge o que de fato dá significado à nossa pergunta: Será que é melhor saber o que perdemos quando de fato perdemos?

Há perdas que, quando compreendidas em profundidade, ampliam a lucidez. E há perdas cujo entendimento nos confronta com algo que preferíamos não ter visto, não ter compreendido.Talvez o desconforto esteja aí: entre a necessidade da verdade e o desejo da preservação.
O que se ganha quando se perde?

Não sabemos. Talvez nunca saibamos por completo. Mas talvez exista valor em olhar para a perda sem assumir automaticamente a culpa e, ao mesmo tempo, sem fugir da consciência do que foi. Nem tudo era nosso para manter. Nem tudo é confortável de entender. E talvez crescer seja sustentar essa tensão.

Porque há perdas que nos diminuem. E há perdas que nos obrigam a nos olhar sem distração. Algumas nos quebram. Outras nos despertam.
E talvez o verdadeiro movimento não esteja em descobrir o que se ganha, mas em aceitar que nem toda perda é um fracasso, nem toda culpa nos pertence, e nem toda verdade vem para aliviar. Às vezes, ela vem apenas para nos tornar mais inteiros.
E isso, embora não console, nos transforma.

Nos vemos no próximo mês! 
Lizandra Cruz Monteiro

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Lizandra Monteiro
Sobre Lizandra Monteiro
É formada em Turismo com foco em hotelaria, especialista em Gestão de Negócios. Atualmente é consultora especializada em empresas de hospitalidade e reside em Imbassai. Escreve uma vez por mês.