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Fifa descarta vender Copa do Mundo e defende projeto de R$ 23 bilhões

Entidade se pronunciou nesta sexta-feira, 31

31/07/2026 13h43
Por: Redação Fonte: A Tarde
Reprodução / ANGELA WEISS | AFP
Reprodução / ANGELA WEISS | AFP

A Fifa voltou a se posicionar publicamente, nesta sexta-feira, 31, em defesa de sua proposta de captação de investimento privado, alvo de críticas recentes e até de um movimento de boicote liderado por países europeus. A entidade máxima do futebol também atribuiu à imprensa parte da repercussão negativa que envolveu o tema.

Segundo a Fifa, o processo de discussão interna foi prejudicado por informações consideradas equivocadas divulgadas pela mídia. Ainda assim, a organização garantiu que pretende dar continuidade às consultas com suas associações filiadas, com o objetivo de assegurar que todas tenham condições de votar com base em dados corretos.

A entidade também reforçou que não há qualquer intenção de “vender” a Copa do Mundo ou alterar sua estrutura comercial. Em nota, afirmou que a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE) não está em andamento e que as atividades comerciais permaneceriam como são atualmente. “Ninguém está vendendo o futebol, isso jamais seria cogitado”, destacou o comunicado.

Apesar das explicações, a proposta gerou forte reação na Europa. Na quinta-feira, 30, confederações do continente anunciaram boicote a competições organizadas pela Fifa como forma de protesto contra o plano liderado pelo presidente Gianni Infantino. O próximo torneio previsto na região é a Copa do Mundo Feminina Sub-20, marcada para começar em 5 de setembro, na Polônia.

Confederações rejeitam

A Uefa se manifestou de forma contundente, defendendo que o Mundial é um patrimônio do futebol e não deve ser tratado como ativo comercial negociável. Em nota, a entidade afirmou que a competição pertence ao esporte e que, enquanto houver influência europeia, não estará à venda.

A mobilização europeia surge como resposta à proposta de Infantino, que prevê um aporte de 20 milhões de dólares para cada uma das 211 associações filiadas à Fifa. A aceitação do plano precisa ocorrer até setembro.

Além da Europa, outras confederações também demonstraram insatisfação. A Concacaf questionou a necessidade de buscar investimentos externos após a realização da Copa do Mundo mais lucrativa da história. Em comunicado, apontou preocupação com a falta de transparência, o prazo considerado curto para análise e a ausência de aprovação por instâncias de governança da própria Fifa.

Já a Confederação Asiática de Futebol (AFC) pediu uma revisão urgente nos processos internos da entidade, citando falhas estruturais nos mecanismos de consulta e tomada de decisão.

Proposta de Infantino

A proposta apresentada por Infantino prevê a ampliação dos recursos do programa de desenvolvimento da Fifa. A ideia é dobrar o valor previsto para o próximo ciclo de quatro anos, passando de 10 milhões para 20 milhões de dólares por associação. A estimativa é que, até 2038, cada membro receba cerca de 86 milhões de dólares.

O principal investidor envolvido seria uma empresa norte-americana ligada a Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, que é genro do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Projeto ainda precisa passar por votação

A Fifa reforçou que a criação da FIFA Forward Enterprise só ocorrerá caso a maioria das 211 associações nacionais aprove a proposta. Se isso não acontecer, as operações comerciais da entidade permanecerão exatamente como são atualmente.

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