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Política em Foco Saúde

Novas regras reduzem espera para doação de sangue após tatuagem e piercing

Mudanças entram em vigor em 30 de setembro e também permitem que doadores regulares continuem doando após os 70 anos, desde que atendam aos critérios clínicos

12/08/2026 22h42
Por: Luana Velloso Fonte: Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Novas regras para a doação de sangue no Brasil entrarão em vigor em 30 de setembro de 2026 e reduzirão o período de espera para candidatos que fizeram tatuagem, maquiagem definitiva, determinados procedimentos estéticos ou utilizaram piercing. A atualização também permitirá que doadores regulares continuem realizando doações após completarem 70 anos, desde que estejam aptos na avaliação clínica do serviço de hemoterapia. As mudanças foram estabelecidas pela Portaria GM/MS nº 11.685, de 2 de julho de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 3 de julho.

Para pessoas que fizeram tatuagem, maquiagem definitiva ou procedimentos estéticos como aplicação de botox, preenchimento e microagulhamento, a doação poderá ser realizada após sete dias, desde que seja possível verificar que o procedimento foi feito em local que atende às normas de segurança. Quando não houver condições de avaliar a segurança do estabelecimento ou do procedimento, o prazo será de quatro meses.

Para quem possuiu piercing na boca ou na região genital, a doação poderá ser realizada quatro meses após a retirada do acessório. O novo regulamento também reduz de seis para quatro meses o período de espera para pessoas que passaram por endoscopia ou fizeram uso de anabolizantes sem prescrição médica.

Outra mudança envolve candidatos que estiveram em áreas com risco de transmissão de malária. A atualização considera o uso do exame NAT Plus, desenvolvido por Bio-Manguinhos, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que permite detectar HIV, hepatites B e C e o parasita causador da malária nas bolsas e amostras de sangue. Com a inclusão da triagem para malária, pessoas que estiveram em áreas endêmicas ou tiveram exposição a regiões de mata, bosque ou floresta poderão doar após 30 dias, conforme os critérios estabelecidos, em vez de aguardar o prazo de até um ano previsto anteriormente.

A nova regulamentação também determina que bolsas e amostras de sangue sejam identificadas pelo padrão internacional ISBT 128. O sistema permite rastrear o material nas diferentes etapas do processo, desde a coleta até a transfusão e o envio do plasma para a produção de medicamentos, reduzindo o risco de falhas na identificação.

Os concentrados de plaquetas também terão a validade ampliada. O prazo, que era de até cinco dias, passará para até sete dias. A mudança aumenta o período disponível para utilização desse componente sanguíneo por pacientes que necessitam de transfusões, incluindo pessoas com câncer, doenças hematológicas ou que realizam transfusões com frequência.

A idade máxima para doação também será alterada. Atualmente, 70 anos é o limite para os doadores. Com a nova regra, pessoas que já são doadoras regulares poderão continuar doando depois dessa idade, desde que estejam saudáveis, respeitem a frequência e os intervalos estabelecidos para a faixa etária e sejam consideradas aptas na avaliação clínica realizada pelo serviço de hemoterapia. A alteração não significa que qualquer pessoa com mais de 70 anos poderá doar automaticamente, pois a liberação continuará condicionada à triagem.

Segundo o Ministério da Saúde, a atualização dos critérios busca reforçar a segurança das transfusões e a rastreabilidade do sangue, além de adequar os serviços de hemoterapia aos avanços laboratoriais e ao cenário epidemiológico. A pasta destaca que as mudanças consideram novas ferramentas de triagem e procedimentos de identificação capazes de ampliar a segurança para doadores e pacientes.

Até a entrada em vigor da nova portaria, os serviços de hemoterapia continuam submetidos aos critérios atualmente vigentes. A partir de 30 de setembro, os hemocentros deverão aplicar os novos parâmetros na avaliação dos candidatos.

Para doar sangue, é necessário ter, em regra, pelo menos 18 anos. Adolescentes de 16 e 17 anos também podem realizar a doação, desde que tenham consentimento formal do responsável legal. O candidato deve apresentar documento de identificação com foto, incluindo documentos digitais que contenham fotografia, e pesar no mínimo 50 quilos.

Também é necessário ter dormido pelo menos seis horas nas 24 horas anteriores à doação e estar alimentado. A orientação é evitar alimentos gordurosos nas três horas que antecedem a coleta. Quando a doação ocorrer após o almoço, é necessário aguardar duas horas.

A doação depende ainda da avaliação realizada no serviço de hemoterapia. O candidato deve procurar o hemocentro mais próximo e verificar os horários de atendimento antes de comparecer. Na unidade, será submetido à triagem clínica, que definirá se está apto para realizar a doação.

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