O candidato do PRTB à Presidência da República, Pablo Marçal, afirmou nesta segunda-feira (17) que o patrimônio de R$ 7,4 bilhões registrado em sua declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral está incorreto. Em entrevista ao canal Brasil Paralelo, no YouTube, o empresário disse que houve um erro de digitação cometido pelo partido ou durante o procedimento de envio da documentação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e afirmou que seu patrimônio atual é de R$ 149 milhões. A declaração que consta no sistema eleitoral aponta um valor 4.276% superior ao informado por Marçal em 2024, quando disputou a Prefeitura de São Paulo.
Segundo os dados registrados para as eleições de 2026, R$ 6,7 bilhões do patrimônio atribuído a Marçal correspondem a aplicações de renda fixa. A relação de bens também inclui um terreno localizado em Santana de Parnaíba (SP), declarado pelo valor de R$ 490 milhões. Na declaração apresentada em 2024, Marçal havia informado patrimônio de R$ 169,5 milhões. Naquela eleição, ele terminou a disputa em terceiro lugar, com 28,14% dos votos válidos no primeiro turno, e não avançou para o segundo turno.
Na entrevista, Marçal afirmou que seu patrimônio teria diminuído cerca de R$ 20 milhões desde a eleição municipal de 2024. “É óbvio que é um erro de digitação”, declarou, ao questionar a forma como os dados foram inseridos no sistema eleitoral. Ele afirmou ainda que a declaração de Imposto de Renda possui informações detalhadas sobre seus bens e que os dados poderiam ser importados diretamente para evitar erros de preenchimento. O empresário disse não saber se a falha ocorreu dentro do partido ou durante o processo de registro.
Marçal também afirmou que o valor de R$ 7,4 bilhões poderia ser alcançado futuramente, considerando a evolução de suas receitas, mas reiterou que não corresponde ao patrimônio que possui atualmente. “O valor correto é R$ 149 milhões”, disse.
A declaração patrimonial passou a integrar o processo de registro da candidatura presidencial do empresário depois que o PRTB apresentou o pedido de registro de sua candidatura no sábado (15). Marçal enfrenta uma situação eleitoral ainda pendente: decisões do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) o declararam inelegível até 2032, e recursos relacionados às condenações ainda tramitam na Justiça Eleitoral. O registro de candidatura, por sua vez, ainda precisa ser analisado pelo TSE. O fato de o pedido ter sido protocolado não significa, por si só, que a candidatura esteja definitivamente habilitada para a disputa.
A mudança na composição da chapa também ocorreu no fim do prazo para o registro das candidaturas. O presidente nacional do PRTB, Leonardo Avalanche, que havia sido anunciado em julho como pré-candidato à Presidência, passou a ocupar a posição de vice na chapa encabeçada por Marçal. Avalanche declarou patrimônio de R$ 495 milhões. O empresário havia sido escolhido inicialmente pela legenda para disputar o Palácio do Planalto, em uma candidatura que seria sua primeira eleição para o cargo.
Com o registro apresentado, a Justiça Eleitoral deverá analisar a documentação da chapa e as condições de elegibilidade de Marçal. Enquanto isso, a divergência entre o patrimônio de R$ 7,4 bilhões que consta no sistema e os R$ 149 milhões apontados pelo candidato permanece como uma questão a ser esclarecida no processo eleitoral. O valor oficialmente registrado na declaração de bens continua sendo aquele disponibilizado no sistema da Justiça Eleitoral até eventual correção da documentação.
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