Sexta, 16 de Outubro de 2026 11:53
(71) 99663.6360
Esporte Referência

Rebeca Andrade retorna ao Mundial em busca do ouro em salto e trave

Rebeca abriu mão do solo e do individual geral, mas ainda considera voltar às barras assimétricas

16/10/2026 10h44
Por: Redação Fonte: A Tarde
Reprodução / Gabriel Bouys
Reprodução / Gabriel Bouys

Maior medalhista olímpica da história do Brasil, Rebeca Andrade está pronta para disputar mais uma edição do Campeonato Mundial de Ginástica Artística. Aos 27 anos, a brasileira será uma das principais atrações da competição, que começa na próxima segunda-feira, em Roterdã, na Holanda.

Desta vez, porém, a ginasta terá uma participação diferente: competirá apenas no salto e na trave, deixando de lado o solo, aparelho em que conquistou o ouro nos Jogos Olímpicos de Paris 2024.

A decisão faz parte de um planejamento de recuperação física e mental, elaborado para permitir que Rebeca prolongue a carreira até as Olimpíadas de Los Angeles 2028. Depois de passar um ano afastada das grandes competições, a atleta retomou as apresentações em junho e vem aumentando gradualmente a carga de trabalho.

Apesar da mudança, a brasileira chega ao Mundial como uma das candidatas ao pódio, especialmente no salto, aparelho em que acumula dois títulos mundiais e uma medalha de ouro olímpica.

Retorno é planejado para preservar corpo e mente

A preparação de Rebeca para o Mundial segue uma estratégia diferente daquela adotada nos ciclos anteriores. Em vez de disputar todos os aparelhos, a ginasta passou a concentrar os treinamentos em movimentos específicos, reduzindo o desgaste provocado pelas competições.

A mudança ocorre depois de uma sequência intensa de torneios, que culminou nas quatro medalhas conquistadas em Paris 2024. Desde então, a prioridade da equipe multidisciplinar é encontrar um equilíbrio entre o desempenho esportivo e a saúde da atleta.

Segundo Aline Wolff, psicóloga responsável pelo acompanhamento de Rebeca, a readaptação precisa respeitar etapas mesmo diante da experiência acumulada pela brasileira.

"Esse retorno é pensado passo por passo para ter uma readaptação. Claro que uma atleta com a experiência dela já tem muito repertório. Aí às vezes a gente precisa trabalhar até para manter esse aspecto gradual e não pular etapas. É um cuidado fundamental para adaptar corpo e mente àquela carga, àquele estímulo", explicou ao Globo Esporte.

A própria Rebeca tem adotado um discurso mais voltado ao prazer de competir e ao cuidado pessoal. Embora continue entre as principais ginastas do mundo, a conquista de medalhas deixou de ser o único objetivo nesta fase da carreira.

Rebeca Andrade nas Olimpíadas
COI

Salto é principal aposta para o Mundial

O primeiro aparelho escolhido para o retorno de Rebeca foi o salto, justamente uma de suas maiores especialidades.

A brasileira recuperou rapidamente dois movimentos importantes de seu repertório: o Yurchenko com dupla pirueta, avaliado em 5,0 pontos de dificuldade, e o Lopez, com dificuldade de 4,8.

Com essa combinação, conquistou o título do Campeonato Pan-Americano, alcançando média de 14,549 pontos, a maior registrada no mundo nesta temporada.

O desempenho colocou a brasileira novamente entre as principais candidatas ao ouro no Mundial. A expectativa também cresce pela possibilidade de utilizar o Cheng, salto com grau de dificuldade de 5,6, que a ginasta já mostrou estar treinando nas redes sociais.

Caso consiga executar o movimento com qualidade, Rebeca poderá elevar ainda mais suas notas e fortalecer a tentativa de conquistar o terceiro título mundial no aparelho.

Rebeca Andrade quebrando o recorde de salto
MeloGym/CBG

Trave representa novo desafio

Depois de retomar as apresentações no salto, Rebeca acrescentou a trave ao calendário competitivo. A estreia no aparelho nesta nova fase aconteceu em setembro, durante a etapa da Copa do Mundo de Szombathely, na Hungria. A brasileira conquistou a medalha de prata e apresentou sinais positivos de evolução.

Na fase classificatória, alcançou 14,100 pontos, pontuação que pode colocá-la na disputa por medalhas no Mundial.

A concorrência, entretanto, será elevada. Algumas ginastas ultrapassaram ou se aproximaram da marca de 15 pontos ao longo de 2026, o que torna a briga pelo pódio mais difícil do que no salto.

Ainda assim, a participação na trave é considerada importante pela comissão técnica, tanto pela possibilidade de resultado quanto pelo processo de readaptação às grandes competições.

Rebeca Andrade venceu disputa com outros 5 atletas na categoria "Retorno do Ano"
Reprodução | X | Laureus

Por que Rebeca não vai disputar o solo?

A principal ausência no programa da brasileira será o solo, aparelho responsável por um dos momentos mais marcantes de sua carreira. Foi nele que Rebeca conquistou o ouro olímpico em Paris 2024, superando as adversárias e encerrando sua participação nos Jogos com quatro medalhas.

Desde aquela conquista, a ginasta afirma que não pretende voltar a competir na modalidade. A decisão continua mantida, apesar dos pedidos de torcedores que gostariam de vê-la novamente apresentando suas séries.

O motivo envolve principalmente o desgaste físico. Entre os quatro aparelhos da ginástica artística feminina, o solo exige um esforço especialmente elevado de Rebeca, considerando a potência necessária para executar os movimentos acrobáticos e a preparação para uma série competitiva.

Rebeca Andrade ganhando ouro olímpico
Gabriel Bouys

Ao abrir mão do aparelho, a atleta reduz a sobrecarga do treinamento e das apresentações, uma medida considerada importante para preservar o corpo ao longo dos próximos anos.

A escolha também significa que Rebeca não disputará o individual geral, competição que reúne as notas dos quatro aparelhos: salto, barras assimétricas, trave e solo.

A intenção é direcionar os esforços para provas específicas, mantendo a ginasta em condições de competir em alto nível até Los Angeles 2028.

Barras assimétricas devem voltar em 2027

Enquanto o solo permanece descartado, as barras assimétricas fazem parte do planejamento para a próxima temporada. O aparelho é o preferido de Rebeca, que conquistou a medalha de prata no Mundial de 2021 e ainda busca um pódio olímpico na especialidade.

A ginasta já trabalha na elaboração de uma nova série para as barras, com movimentos que possam oferecer condições de disputar finais e medalhas nas competições internacionais.

O retorno está previsto para 2027, dentro do cronograma gradual estabelecido pela equipe técnica. Dessa forma, Rebeca poderá chegar ao ciclo final de preparação para Los Angeles competindo em três aparelhos, sem necessariamente voltar à disputa do individual geral.

Rebeca Andrade
Gabriel Bouys

Mundial terá menor participação de Rebeca

A edição de Roterdã será diferente das participações anteriores da brasileira em Campeonatos Mundiais.

Como disputará somente salto e trave, Rebeca poderá realizar, no máximo, seis apresentações, considerando as fases classificatórias e as finais, além da necessidade de executar dois saltos na disputa individual do aparelho.

O número é significativamente inferior ao registrado no Mundial de 2023, quando participou de 15 apresentações, conquistou cinco medalhas e ficou fora de apenas uma final.

A redução faz parte do planejamento estabelecido pela equipe médica e técnica, que acompanha a resposta do organismo da ginasta ao retorno às competições. Álvaro Margutti, fisioterapeuta da seleção brasileira, explicou que o torneio representa uma etapa do processo de preparação, e não o encerramento dele.

"O Mundial é uma fase importante da preparação. Esse trabalho vai continuar. A gente não para aqui. Então nós tentamos colocar ela de novo no cenário. Hoje nós temos a atleta apta para competir de uma forma segura", afirmou.

Rebeca Andrade durante os Jogos Olímpicos de Paris 2024
Wander Roberto/COB

Los Angeles 2028 como objetivo de longo prazo

A participação no Mundial da Holanda será mais um teste para o planejamento que tem como principal horizonte os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.

Aos 27 anos, Rebeca já acumula conquistas históricas, incluindo seis medalhas olímpicas e títulos mundiais. Agora, busca conciliar a permanência entre as melhores do planeta com uma rotina que permita maior recuperação entre treinamentos e competições.

O novo formato de participação também reflete uma mudança nas prioridades da ginasta. Em vez de disputar todos os aparelhos, a brasileira pretende concentrar sua preparação nas provas em que pode apresentar alto nível técnico sem comprometer a continuidade da carreira.

As finais do Campeonato Mundial de Ginástica Artística terão transmissão ao vivo dos canais SporTV a partir de 20 de outubro. Para Rebeca Andrade, o torneio representará a oportunidade de voltar a disputar medalhas em uma grande competição internacional, desta vez com uma estratégia voltada não apenas aos resultados imediatos, mas também à permanência no esporte até os próximos Jogos Olímpicos.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.