O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta terça-feira (27) a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil após a derrota no segundo turno das eleições presidenciais. Durante um evento no Palácio da Alvorada, em Brasília, Lula afirmou que o parlamentar deveria ter entregado o passaporte, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e classificou a atitude como “vergonhosa”.
“Fico imaginando que culpa tem na consciência um cidadão que acaba de perder as eleições e foge do seu país”, declarou o presidente. Lula comparou a situação à própria trajetória política e citou adversários que permaneceram no Brasil após derrotas eleitorais. Também mencionou que, quando foi acusado, recebeu convites para deixar o país, mas decidiu permanecer e se entregar à Polícia Federal.
Em outra declaração, Lula afirmou: “O Brasil é a segunda pátria dele. A primeira é lamber-botas dos EUA”. O presidente também acusou Flávio de não ter compromisso com a verdade e disse que o senador deveria ter apresentado o passaporte dentro do prazo estabelecido.
A saída de Flávio Bolsonaro rumo aos Estados Unidos foi relatada por duas fontes ouvidas pela agência Reuters e, posteriormente, pelo jornal norte-americano The New York Times, que também citou fontes anônimas. Até a publicação das informações, porém, não havia confirmação de que o senador tivesse chegado ao território norte-americano.
Mais cedo, o portal argentino Infobae informou que Flávio teria cruzado a fronteira brasileira por Puerto Iguazú, na Argentina, utilizando documento de identidade, e que seguiria aos Estados Unidos em uma aeronave particular. Registros do FlightRadar24 indicavam que o avião mencionado havia chegado à cidade argentina, mas não havia deixado o local. O controle de imigração argentino informou, naquela manhã, que não havia registro da entrada do senador no país.
Segundo o texto do pedido da Polícia Federal (PF) ao STF, a corporação identificou riscos “concretos e atuais” de fuga e solicitou a apreensão do passaporte e a proibição de saída do país. Entre os elementos apontados estavam declarações públicas de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que teria defendido sua saída do Brasil em caso de derrota eleitoral; o poder econômico da família; e a existência de estruturas no exterior que poderiam permitir uma permanência prolongada.
O prazo para Flávio Bolsonaro apresentar o passaporte terminou às 11h desta terça-feira (27), conforme a determinação de Moraes. De acordo com a reportagem, o senador não havia entregado o documento.
A PF também mencionou a investigação sobre a relação de Flávio Bolsonaro com o advogado Willer Tomaz, que está nos Estados Unidos desde agosto de 2026, e suspeitas ainda em apuração sobre o possível uso de recursos remetidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro no exterior. O caso relacionado a Tomaz e a suposto esquema envolvendo empresas e apostas esportivas tramita sob sigilo de Justiça.
Flávio Bolsonaro também é investigado em inquérito que apura possíveis crimes relacionados ao financiamento de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações sobre a viagem e as investigações foram apresentadas pela reportagem como relatos e suspeitas ainda sujeitos à apuração.
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